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Atentado suicida contra mesquita xiita no Paquistão deixa mais de 30 mortos e 169 feridos
Um atentado suicida em uma mesquita xiita de Islamabad durante a oração desta sexta-feira (6) deixou mais de 30 mortos e ao menos 169 feridos, no ataque mais mortal na capital do Paquistão desde o atentado contra o hotel Marriott em 2008.
A explosão ocorreu quando as mesquitas do país estavam lotadas, declarou à AFP uma fonte policial sob a condição de anonimato. O balanço "deve continuar aumentando", ressaltou.
A prefeitura de Islamabad informou que 31 pessoas morreram na explosão ocorrida na mesquita Imam Bargah Qasr-e-Khadijatul Kubra, no bairro de Tarlai, na periferia da cidade.
Outra fonte de segurança, que também pediu anonimato, indicou que a explosão na mesquita, localizada no bairro de Tarlai, foi provocada por um atentado suicida. "O agressor foi detido na entrada e detonou os explosivos", afirmou.
Jornalistas da AFP viram dezenas de feridos chegarem a um grande hospital com as roupas manchadas de sangue.
Médicos e transeuntes ajudavam as vítimas transportadas em ambulâncias, e ao menos uma pessoa chegou no porta-malas de um carro.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, "condenou energicamente" o atentado e afirmou que os responsáveis seriam encontrados e levados à Justiça.
Até o momento, nenhum grupo reivindicou o ataque, que ocorreu enquanto as forças de segurança paquistanesas enfrentam a intensificação das insurgências nas províncias do sul e do norte do país, na fronteira com o Afeganistão.
O Paquistão é um país de maioria sunita, mas os xiitas representam entre 10% e 15% da população e foram atacados no passado por grupos jihadistas.
Michael Kugelman, especialista em Sul da Ásia, disse no X que o atentado pode ter sido organizado pela ramificação local do grupo Estado Islâmico ou por militantes anti-xiitas.
- Poças de sangue -
Este ataque é o mais sangrento registrado na capital paquistanesa desde setembro de 2008, quando 60 pessoas morreram em um atentado suicida com um caminhão-bomba que destruiu parte do luxuoso hotel Marriott.
Amigos e familiares gritavam e choravam enquanto as vítimas, mortas ou vivas, chegavam ao serviço de emergência do hospital, fortemente vigiado.
Outra equipe de jornalistas da AFP viu forças de segurança armadas do lado de fora da mesquita, onde havia poças de sangue.
Uma fita amarela da polícia isolava a área com sapatos, roupas e vidros quebrados no chão.
Vídeos divulgados nas redes sociais, cuja autenticidade a AFP não pôde verificar, mostram vários corpos na entrada principal da mesquita, assim como pessoas e escombros espalhados na sala de oração, coberta por um tapete vermelho.
- Insurreições -
O governo afirma que os grupos armados separatistas do Baluchistão, os talibãs paquistaneses e outros militantes islamistas da província setentrional de Khyber Pakhtunkhwa, perto de Islamabad, utilizam o território afegão como refúgio para lançar seus ataques.
O governo talibã afegão negou várias vezes essas acusações e as relações bilaterais se deterioraram. As forças de ambos os países confrontam-se regularmente ao longo da fronteira.
Os ataques desencadearam uma onda de operações de contraofensiva nas quais, segundo as autoridades, as forças de segurança mataram cerca de 200 insurgentes.
O.Bulka--BTB