-
Brasil precisa de 'mente e coração' para jogar 'final' contra o Japão, diz Ancelotti
-
Eliminada na fase de grupos da Copa, seleção do Irã embarcará de Tijuana na 2ªfeira
-
Paraguai desafia Alemanha por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo
-
Canadá vence África do Sul (1-0) e vai às oitavas de final da Copa
-
Países Baixos e Marrocos fazem duelo de amizades perigosas por vaga nas oitavas da Copa
-
Roubos e saques em área devastada da Venezuela, a outra face da tragédia
-
Após passar por cirurgia, Parreira apresenta quadro 'estável'
-
Presidente da confederação africana comemora sucesso do continente na Copa
-
Uruguai e Manchester United confirmam lesão de ligamento do volante Manuel Ugarte
-
'Mesmo não sendo favoritos, acreditamos em nós', diz sueco Gyökeres antes de duelo com a França
-
Federação uruguaia confirma lesão de ligamento do volante Manuel Ugarte
-
Técnico da Coreia do Sul pede demissão após eliminação na Copa do Mundo
-
Irã adverte navios para que não se desviem da rota demarcada em Ormuz
-
Japão pode 'surpreender o Brasil', avisa ex-técnico Philippe Troussier
-
Cinco coisas que marcaram a Semana de Moda Masculina em uma Paris escaldante
-
Brasil testa sua defesa contra o Japão no primeiro duelo de vida ou morte na Copa
-
George Russell vence GP da Áustria de F1
-
Europa registra mais de 1.300 mortes adicionais em meio à onda de calor, diz OMS
-
Terremotos na Venezuela deixam quase 1.500 mortos e milhares de desaparecidos
-
Últimos acontecimentos da onda de calor na Europa
-
Escritor francês encontra livro gerado por IA e assinado com seu nome
-
Irã ataca Kuwait e Bahrein após bombardeios dos EUA em seu território
-
Mortos por terremotos na Venezuela ultrapassam os 1.400 e milhões são afetados
Lara, vice-presidente da Bolívia, ataca o governo
A partir de seu perfil no TikTok, ele questiona e ataca: o vice-presidente da Bolívia, o ex-capitão de polícia Edmand Lara, se tornou o opositor mais feroz do mandatário Rodrigo Paz, no início do governo de centro-direita.
Lara, de 40 anos, é o último dos vices latino-americanos que desafia abertamente o seu companheiro de gestão.
Assumiu o cargo em 8 de novembro junto com Paz, a quem ajudou a vencer a eleição ao captar o voto dos setores mais populares. Antes de entrar no poder, já era um influenciador histriônico conhecido por denunciar casos de corrupção.
Nos primeiros dias de governo, as tensões entre ambos vieram a público quando o vice denunciou em suas redes sociais que estava sendo deixado de fora da cúpula de comando.
Desde então, chamou o presidente de "mentiroso" e "cínico".
"Hoje em dia, Rodrigo Paz está governando para os que mais têm (...). Não posso fazer nada porque me encurralaram", disse em um vídeo publicado na terça-feira (16).
Seus comentários reverberam dentro do governo, pressionado a apresentar soluções urgentes para a pior crise do país em quatro décadas.
"É um vice-presidente anedótico, mas também é um sério risco para a governabilidade no médio e longo prazo", disse Franco Gamboa, sociólogo boliviano, à AFP.
- "Uma traição" -
Paz, por enquanto, mantém a calma. Se pronunciou apenas uma vez sobre seu companheiro: "As portas sempre estão abertas ao diálogo (...), mas eu não falo pelo TikTok ".
Lara já não tem cota de poder no governo. Seu único homem de confiança no alto escalão, um ministro da Justiça, foi destituído por não declarar uma condenação por corrupção.
"Para nós é uma traição", disse o deputado Daniel Fernández, um dos fiéis do ex-capitão, à AFP. "Não tem nenhum ministério (...). Os anteriores (políticos) que fizeram tanto mal estão comandando o país", comenta.
O conflito não é de ideias. O deputado explica que Lara "tem a ideologia de Bukele e Milei", os presidentes de El Salvador e da Argentina, a quem não considera de extrema direita.
Está "no meio", diz, como Paz. No Congresso, as bancadas de ambos mantêm uma relação cordial.
O governo não respondeu à AFP sobre o estado de suas relações com Lara. Seu confronto com Rodrigo Paz é direto.
Nos últimos dias, o ex-policial deu ordens, por redes sociais, ao comandante das forças armadas, quando o comandante máximo militar é o presidente.
Também chamou de "comissão da mentira" uma instância criada por Paz para investigar fatos de corrupção no setor de hidrocarbonetos durante os 20 anos de governos socialistas que o antecederam.
"Se autointerpreta (...) como uma pessoa que é capaz de substituir, ofuscar e até mesmo ir além do presidente", comenta Gamboa.
Seus impulsos de espontaneidade, realizados quando era apenas criador de conteúdo, agora afetam sua popularidade. Segundo o sociólogo, Lara "vai enfraquecer e se desgastar por si mesmo".
Uma recente pesquisa da Ipsos-Ciesmori, realizada nas quatro principais cidades do país, indica que a gestão de Lara tem uma rejeição de 54% e uma aprovação de 32%.
O mandatário Paz, por sua vez, conta com o respaldo de 65% dos consultados.
- Sombra na região -
Os vices incômodos sempre fizeram parte do panorama político da América Latina.
Casos recentes são o de Verónica Abad, que perdeu o cargo no Equador em meio a disputas com o presidente Daniel Noboa; o de Cristina Fernández da Argentina, que criticou abertamente Alberto Fernández; ou o de Dina Boluarte no Peru, que substituiu Pedro Castillo.
"As constituições na América Latina não mostram saídas institucionais específicas. Os presidentes são obrigados a negociar politicamente quando têm conflitos com seus vice-presidentes para evitar o desastre", diz Gamboa.
No caso da Bolívia, Paz deve resolver imediatamente suas diferenças frente a frente com Lara, acrescenta o especialista.
"Do contrário, isto poderia transbordar", agrega, pois uma crise dentro do governo pode gerar tanta instabilidade como uma convulsão social.
L.Dubois--BTB