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Trump afirma que poderia manter o controle da Venezuela por anos
Os Estados Unidos poderiam manter o controle da Venezuela e de seu petróleo por vários anos, disse Donald Trump em entrevista publicada nesta quinta-feira (8) pelo The New York Times, na qual o presidente celebrou a "ótima relação" com o governo interino em Caracas.
As forças americanas lançaram um ataque na Venezuela em 3 de janeiro para derrubar o presidente Nicolás Maduro, que foi levado para Nova York junto com sua esposa, Cilia Flores, sob acusações de tráfico de drogas.
"Só o tempo dirá", declarou Trump quando o The New York Times lhe perguntou por quanto tempo os Estados Unidos pretendem manter o controle da Venezuela.
Quando questionado se se referia a três meses, seis meses ou um ano, Trump respondeu: "Eu diria muito mais".
A operação americana, que incluiu comandos terrestres, bombardeios aéreos e uma enorme força naval, deixou 100 mortos e feriu Maduro e a esposa, afirmou o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, na quarta-feira, aumentando assim o número de mortos confirmado até então.
Nesse contexto, o governo Trump declarou abertamente que os Estados Unidos ditarão as decisões do governo interino venezuelano, liderado por Delcy Rodríguez, e controlarão indefinidamente as vendas de petróleo do país.
"Obviamente, neste momento temos a capacidade máxima de exercer pressão sobre as autoridades interinas da Venezuela", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira.
- "Uma mancha" -
A relação entre a Venezuela e os Estados Unidos ficou com "uma mancha" após o ataque e a captura do presidente Nicolás Maduro, declarou Delcy Rodríguez na quarta-feira, que, no entanto, concordou em negociar com Washington a venda do petróleo.
A presidência interina de Rodríguez tem duração máxima de 180 dias, após os quais o governo deverá convocar eleições.
A empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) "está atualmente negociando com os Estados Unidos a venda de volumes de petróleo, no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países", afirmou um comunicado da empresa.
A indústria petrolífera venezuelana está sujeita a sanções dos EUA desde 2019, durante o primeiro mandato de Trump. Atualmente, a Chevron é a única multinacional que opera no país, devido a uma licença especial.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, havia declarado anteriormente que Washington controlaria as vendas de petróleo venezuelano "indefinidamente".
Além disso, Trump afirmou que a Venezuela só comprará produtos fabricados nos EUA com o dinheiro dessas vendas.
Trump anunciou na terça-feira que o governo interino de Delcy Rodríguez entregaria até 50 milhões de barris de petróleo para venda sob o controle de Washington.
A Venezuela possui aproximadamente um quinto das reservas mundiais de petróleo, cerca de 303 bilhões de barris, principalmente petróleo bruto pesado e extrapesado. Sua produção atual gira em torno de um milhão de barris por dia.
- Esclarecer "divergências" -
A queda de Maduro provocou outras reações diplomáticas, como o primeiro telefonema na noite de quarta-feira entre o presidente colombiano, Gustavo Petro, e Trump.
Petro, que foi o centro de uma acirrada troca de farpas com Trump, ligou para ele, e os dois combinaram de se encontrar em breve na Casa Branca, segundo uma mensagem que Trump publicou em sua plataforma de mídia social, Truth Social.
Petro "ligou para explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos. Gostei da ligação e do tom da conversa", disse Trump.
Petro revelou que, após a prisão de Maduro, ligou para Delcy Rodríguez dois dias atrás e propôs um diálogo "mundial" para "estabilizar" a Venezuela.
- "Oportunidade" -
Os Estados Unidos planejam depositar todos os lucros das vendas de petróleo em contas sob seu controle "e esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano", afirmou Karoline Leavitt.
"Continuamos mantendo estreita coordenação com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão sendo ditadas pelos Estados Unidos da América", declarou.
Na sexta-feira, Trump se reunirá com representantes de empresas petroleiras americanas na Casa Branca para discutir "a imensa oportunidade que se apresenta a elas" na Venezuela, disse Leavitt.
"Não estamos roubando o petróleo de ninguém", afirmou o secretário de Energia.
Atualmente, a China é o principal cliente do petróleo venezuelano, que chega aos seus portos a preços reduzidos devido às sanções americanas e à dificuldade de transportá-lo.
M.Ouellet--BTB