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Nasa suspende seu projeto de estação orbital e vai criar base na Lua
A Nasa anunciou, nesta terça-feira (24), que vai suspender seu projeto de construção de uma estação espacial na órbita da Lua, chamada Gateway, para concentrar seus esforços na criação de uma base na superfície lunar, para a qual foram prometidos 20 bilhões de dólares (105,12 bilhões de reais).
É a mudança mais recente feita pela Nasa na esteira da reestruturação do programa Artemis, que tem como objetivo enviar novamente americanos à Lua e lá estabelecer uma presença humana de longo prazo, abrindo caminho para futuras missões a Marte.
"Estamos suspendendo o projeto Gateway em sua forma atual e vamos nos concentrar na implementação de uma infraestrutura que permita garantir uma presença sustentável na superfície da Lua", declarou em Washington o diretor da agência espacial dos Estados Unidos, Jared Isaacman.
Essa decisão deve permitir redirecionar esforços e recursos para a construção da base já prevista nas proximidades do polo sul lunar, explicou ele. A região é estratégica devido à presença de água em forma de gelo em seu subsolo.
"A base lunar não se tornará realidade da noite para o dia. Vamos investir cerca de 20 bilhões de dólares nos próximos sete anos e construí-la ao longo de dezenas de missões, em colaboração com parceiros comerciais e internacionais", acrescentou.
Diante dos múltiplos atrasos e do aumento descontrolado de custos no programa Artemis, e devido à pressão da China, que também aspira enviar seres humanos e estabelecer uma base na superfície lunar nos próximos anos, a Nasa busca agora simplificar e acelerar esse programa.
No fim de fevereiro, a agência já havia anunciado as primeiras mudanças importantes destinadas a aumentar o ritmo e recuperar terreno.
- A partir de 2029 -
A suspensão da ambiciosa estação Gateway era esperada. O projeto havia sido qualificado como um desperdício de recursos em comparação com outras ambições lunares.
Essa estação em órbita deveria servir tanto para projetos de exploração lunar quanto para pesquisa científica, e era concebida como ponto de escala para futuras missões rumo a Marte.
"Embora continue sendo relevante para os objetivos futuros de exploração, ela não é indispensável para alcançarmos nossas principais metas", destacou nesta terça-feira Carlos Garcia-Galan, vice-diretor do Gateway na Nasa.
Surge agora a questão sobre o que vai acontecer com os componentes ou módulos desse projeto já construídos ou em desenvolvimento, alguns dos quais são fornecidos por parceiros internacionais, entre eles as agências espaciais europeia (ESA) e japonesa (JAXA).
"Apesar das dificuldades encontradas com alguns equipamentos existentes, a Nasa vai reutilizar o material aproveitável e se apoiará nos compromissos dos parceiros internacionais para respaldar" os demais objetivos do programa Artemis, entre eles a instalação de um acampamento-base, assegurou nesta terça o diretor da Nasa.
Consultada pela AFP, a ESA informou que mantém "neste momento consultas estreitas com seus Estados-membros, seus parceiros internacionais e a indústria europeia a fim de avaliar as implicações deste anúncio".
A base lunar prevista pela Nasa deverá começar a ser construída a partir de 2029 e ser ocupada de forma semipermanente a partir de 2032, detalhou a agência espacial americana.
A Nasa prevê enviar os primeiros astronautas à superfície lunar em 2028, uma etapa que dependerá em grande medida do sucesso da missão Artemis 2, cujo lançamento da Flórida está previsto, na melhor das hipóteses, para 1º de abril.
Essa missão será a primeira a transportar seres humanos ao redor da Lua desde o fim do programa Apollo, há mais de meio século.
G.Schulte--BTB