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Ataque russo deixa milhares de prédios sem calefação em Kiev a -14°C
Um ataque russo na madrugada desta terça-feira (20) deixou mais de 5.600 prédios residenciais em Kiev sem calefação, enquanto as temperaturas na capital ucraniana rondavam os -14°C.
O bombardeio com centenas de drones e mísseis matou pelo menos um homem de cerca de 50 anos perto da capital.
Jornalistas da AFP em Kiev ouviram sirenes de ataque aéreo e explosões enquanto os sistemas de defesa ucranianos respondiam aos drones e mísseis.
Marina Sergienko, uma contadora de 51 anos que se abrigou em uma estação de metrô no centro da cidade, está convencida de que os ataques russos têm um objetivo claro.
"Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico, até que não haja mais forças, quebrar nossa resistência", disse Sergienko à AFP sobre a série de ataques que deixaram milhões de pessoas no escuro e no frio nas últimas semanas.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, criticou duramente o presidente russo, Vladimir Putin.
"O criminoso de guerra Putin continua travando uma guerra genocida contra mulheres, crianças e idosos", disse ele.
O ministro afirmou que as forças russas atacaram a infraestrutura energética durante a noite em pelo menos sete regiões e instou os aliados da Ucrânia a reforçarem seus sistemas de defesa aérea.
"O apoio ao povo ucraniano é urgente. Não haverá paz na Europa sem uma paz duradoura na Ucrânia", declarou ele nas redes sociais.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, sugeriu que poderia faltar ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, para lidar com as consequências do ataque.
No entanto, ele deixou em aberto a possibilidade de participar da reunião de líderes mundiais na estação suíça, caso os acordos com os Estados Unidos sobre um possível apoio financeiro e de segurança pós-guerra estejam prontos para serem assinados.
- Sem calefação -
A Rússia lançou aproximadamente 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis no ataque noturno, informou a Força Aérea de Kiev.
Zelensky afirmou que a Ucrânia não recebeu um carregamento de munição para sistemas de defesa aérea até o dia anterior ao ataque.
Na madrugada de 9 de janeiro, a Rússia realizou um de seus piores ataques à rede elétrica de Kiev desde a invasão do país, há quase quatro anos.
Esse ataque deixou metade da capital sem calefação e muitos moradores sem eletricidade por dias, sob temperaturas congelantes.
As escolas permanecerão fechadas até fevereiro e a iluminação pública foi reduzida em uma tentativa de conservar energia.
"Após este ataque (na madrugada de terça-feira), 5.635 prédios residenciais estão sem calefação", anunciou o prefeito, Vitali Klitschko, no Telegram.
Grande parte de Kiev também ficou sem água encanada, acrescentou.
"Quase metade de Kiev está sem eletricidade neste momento", confirmou a vice-ministra das Relações Exteriores, Mariana Betsa.
- Ataques a outras regiões -
Outras regiões da Ucrânia, como Odessa (sul), Rivne (oeste) e Vinnytsia (centro-oeste), também sofreram bombardeios em suas infraestruturas energéticas durante a noite, segundo autoridades locais.
A empresa estatal de energia Ukrenergo anunciou cortes emergenciais de energia para estabilizar o sistema.
Na região de Rivne, mais de 10.000 residências ficaram sem eletricidade, informou a administração regional.
A Rússia bombardeia o sistema energético da Ucrânia desde o início da invasão. Kiev considera isso uma tentativa de minar a moral e enfraquecer a resistência ucraniana.
O Kremlin afirma que ataca apenas instalações militares ucranianas e culpa Kiev pela continuação da guerra por se recusar a aceitar suas exigências.
O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra dois oficiais militares russos de alta patente pelos ataques à rede elétrica da Ucrânia. Segundo o tribunal, isso constitui um crime de guerra contra civis ucranianos.
I.Meyer--BTB