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Europa tenta se preparar para próxima crise com Trump após susto por Groenlândia
Os líderes europeus se reuniram na noite desta quinta-feira (22), em Bruxelas, para discutir as relações transatlânticas, com um certo alívio pela mudança de tom do presidente americano, Donald Trump, sobre a Groenlândia, mas vigilantes caso surja uma nova crise com o imprevisível presidente americano.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, parece ter conseguido dissuadir Trump de sua intenção de se apropriar da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês no Ártico. Mas ainda há dúvidas no ar sobre o suposto acordo.
O mandatário americano assegura que chegou a uma "estrutura" de acordo com Rutte sobre o papel de Washington nesse território autônomo dinamarquês.
"Estamos em uma situação que parece muito mais aceitável, embora permaneçamos vigilantes", resumiu o presidente francês, Emmanuel Macron, no começo desta cúpula de emergência.
As ameaças de Trump sobre a Groenlândia, una zona controlada historicamente pela Dinamarca, país que, por sua vez, é membro fundador da Otan, azedaram as relações entre Europa e Estados Unidos.
Ao término da reunião, os líderes europeus aplaudiram a decisão do republicano de voltar atrás em suas ameaças tarifárias.
Mas "estamos a um tuíte da próxima crise", advertiu um diplomata europeu que falou com a AFP em condição de anonimato.
- Poucos detalhes sobre o acordo -
Trump voltou atrás na quarta-feira à noite tanto na ameaça de tomar a Groenlândia quanto na imposição de tarifas contra os aliados europeus. Ele justificou o recuo afirmando que tinha chegado a uma "estrutura" para um acordo sobre a ilha que atendia às suas necessidades.
A surpreendente mudança de tom veio depois de uma reunião, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com Mark Rutte, que posteriormente disse à AFP que "ainda há muito trabalho a fazer".
Há poucas informações sobre os detalhes do que foi acordado. Uma fonte a par das conversas disse à AFP que os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar um pacto de defesa de 1951 sobre a Groenlândia.
"Eu mesmo não sei o que contém exatamente o acordo relativo ao meu país", lamentou nesta quinta o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, durante uma coletiva de imprensa em Nuuk, a capital da ilha ártica.
Contudo, a soberania e a integridade territorial desse território autônomo dinamarquês constituem uma "linha vermelha", repetiu.
Em Bruxelas, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, não quis entrar em detalhes sobre esses diálogos.
Não obstante, todos os países da Otan estão de acordo em manter uma presença permanente da aliança no Ártico e nas imediações da Groenlândia, destacou.
A dirigente dinamarquesa se reunirá nesta sexta pela manhã com Rutte.
- 'Atentos e preparados' -
Porém, é possível acreditar realmente que o presidente americano voltou atrás definitivamente e que não voltará a provocar calafrios aos europeus em outros temas, seja sobre a Ucrânia ou suas tentativas de remodelar a ordem internacional com seu "Conselho de Paz"?
Além disso, os líderes europeus expressaram na noite desta quinta suas "sérias dúvidas" sobre esse organismo, em particular sobre sua compatibilidade com a ONU, informou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Em Davos, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky criticou duramente seus aliados, ao assegurar que a Europa parece "perdida" e está "fragmentada" diante de Trump, por falta de "vontade política".
Outra questão vertiginosa tem sido discutir como responder em caso de novas ameaças do presidente americano.
Costa assegurou que a União Europeia dispõe das "ferramentas" para defender seus interesses e se proteger contra "qualquer forma de coerção". "O fará se necessário, quando for necessário", insistiu.
Vários funcionários europeus argumentam que a promessa de uma reação firme do bloco, e o uso de seu arsenal comercial, incluída uma ferramenta antipressão que alguns comparam a uma "bazuca" ou "arma nuclear econômica", fez Trump mudar de opinião sobre a Groenlândia.
A crise da Groenlândia "cria um precedente sobre como podemos agir de maneira eficaz neste tipo de situação", assegurou outro diplomata. Mas "ninguém dirá que acabou, que restabelecemos a estabilidade" com Trump.
"Não se surpreenda se houver surpresas", alertou.
B.Shevchenko--BTB