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Trump diz que 'vigia' o Irã e envia frota ao Golfo
O presidente americano, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (22) que uma frota da Marinha dos Estados Unidos está a caminho do Golfo, mantendo a pressão sobre o Irã, embora a perspectiva de uma intervenção militar pareça ter diminuído.
O líder republicano ameaçou repetidamente adotar uma ação militar iminente no Irã em resposta à repressão aos protestos no país, mas recuou após afirmar que Teerã havia suspendido as execuções planejadas de manifestantes.
Os protestos começaram no final de dezembro devido ao aumento do custo de vida e evoluíram para um movimento contra o regime teocrático, que está no poder desde a revolução de 1979.
A imprensa americana noticiou na semana passada que o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln recebeu ordens para deixar seus exercícios no Mar da China Meridional e seguir para o Oriente Médio.
"Estamos vigiando o Irã", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, ao retornar do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
"Eles sabem que temos muitos navios indo naquela direção, por precaução", insistiu. "Talvez não precisemos usar" essa frota, acrescentou. "Preferiria que nada acontecesse, mas estamos acompanhando a situação de perto", disse ele.
As tensões entre os dois países, inimigos desde a revolução de 1979 que levou o clero xiita ao poder, permanecem muito elevadas.
O chefe da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, alertou na quinta-feira que suas forças estão "com o dedo no gatilho".
Trump, no entanto, não fechou as portas para o diálogo. "O Irã quer conversar, e nós conversaremos", declarou ele na quinta-feira em Davos.
Outro comandante militar iraniano de alta patente, o general Ali Abdollahi Aliabadi, alertou que, em caso de um ataque dos EUA, "todos os interesses, bases e centros de influência americanos" seriam "alvos legítimos" para as forças armadas iranianas.
- Negociações? -
Trump endureceu o tom em relação aos líderes iranianos na terça-feira, ameaçando "exterminá-los da face da Terra" se "qualquer coisa" lhe acontecesse.
Anteriormente, o general iraniano Abolfazl Shekarchi o ameaçou de morte caso Washington atacasse o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também ameaçou retaliar, embora em um artigo publicado na terça-feira no Wall Street Journal tenha afirmado que Teerã permanecia "disposto a conduzir negociações reais e sérias".
A bordo do Air Force One, Trump reiterou que sua ameaça de usar a força contra o Irã havia levado o governo islâmico a suspender 837 execuções de manifestantes. Ele também confirmou sua disposição de dialogar com Teerã.
No entanto, o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, jogou lenha na fogueira.
"A Guarda Revolucionária Islâmica e o nosso amado Irã estão com o dedo no gatilho, mais preparados do que nunca, prontos para cumprir as ordens e medidas do líder supremo, um líder mais querido para eles do que suas próprias vidas", alertou ele, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, que o nomeou em junho para suceder Hossein Salami, morto em bombardeios israelenses.
Suas declarações foram lidas na televisão estatal durante a celebração nacional da Guarda Revolucionária, que tem sido acusada por organizações de direitos humanos de orquestrar a repressão sangrenta ao amplo movimento de protestos no Irã.
As autoridades iranianas relataram 3.117 mortes na quarta-feira, em seu primeiro balanço de vítimas durante os protestos. No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que o número real de mortos é maior.
A Netblocks, uma ONG especializada em segurança cibernética, relatou na quinta-feira que o Irã estava sem acesso à internet há duas semanas. Organizações de direitos humanos afirmam que esse bloqueio permitiu ocultar a extensão da repressão no país.
P.Anderson--BTB