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Primeira-ministra dinamarquesa visita Groenlândia após reviravolta de Trump
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, chegou nesta sexta-feira (23) à Groenlândia para se reunir com o chefe do Governo local após a mudança de direção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que retirou sua ameaça de tomar a ilha à força.
Frederiksen aterrissou proveniente de Bruxelas, onde concordou com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que a Aliança Atlântica deve reforçar sua presença na região ártica.
Ela foi recebida pelo primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, no aeroporto de Nuuk, capital da Groenlândia, constataram jornalistas da AFP.
“Estou aqui para mostrar o grande apoio dos dinamarqueses aos groenlandeses. É um momento em que precisamos estar muito próximos uns dos outros. Estamos em uma situação grave”, disse Frederiksen aos repórteres.
Rutte e a primeira-ministra dinamarquesa concordaram nesta sexta-feira em reforçar a segurança no Ártico, após a reviravolta de Donald Trump.
“Trabalhamos juntos para garantir a segurança de toda a Otan e nos apoiaremos em nossa cooperação para reforçar a dissuasão e a defesa no Ártico”, escreveu Rutte na rede X.
“Concordamos que a Otan deve aumentar seu compromisso no Ártico. A defesa e a segurança no Ártico são uma questão que diz respeito a toda a Aliança”, escreveu Frederiksen no X, após se reunir com Rutte em Bruxelas e antes de viajar para a capital da Groenlândia.
As ameaças de Trump sobre essa ilha do Ártico, um território autônomo dinamarquês, envenenaram as relações entre a Europa e Washington.
Mas o mandatário americano recuou na quarta-feira, ao afirmar que havia chegado a um “acordo marco” sobre a ilha estratégica. Em Nuuk, a primeira-ministra dinamarquesa se reunirá com seu homólogo groenlandês.
- Presença militar -
A Dinamarca prometeu há várias semanas aumentar sua presença militar no território, em resposta às preocupações de Trump sobre a suposta intenção da China e da Rússia de tomar esta zona estratégica.
Nesse contexto, a rádio e televisão pública dinamarquesa DR informou que os militares dinamarqueses enviados à Groenlândia foram orientados a se prepararem para o combate, em caso de ataque americano.
O ministro dinamarquês das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, indicou que as discussões entre seu país, Groenlândia e Estados Unidos começariam “muito em breve”.
“Vamos organizar estas reuniões muito em breve. Não comunicaremos as datas, já que agora é preciso acalmar os ânimos”, declarou Løkke a jornalistas em Copenhague. As conversas com Washington, acrescentou, versarão sobre “segurança, segurança e mais segurança”.
Segundo uma fonte próxima das conversas entre Trump e Rutte, os Estados Unidos e a Dinamarca, ambos membros da Otan, irão renegociar seu acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia.
Isso poderia permitir a Washington ampliar sua presença militar no território, incluindo seus sistemas de defesa antimísseis.
O acordo de 1951, atualizado em 2004, já concede praticamente carta branca a Washington para reforçar sua mobilização militar, desde que as autoridades dinamarquesas e groenlandesas sejam previamente informadas.
Pesquisas indicam que a maioria dos habitantes da Groenlândia apoia uma campanha de décadas pela independência total da ilha.
No entanto, as ameaças de Trump durante o último ano serviram para melhorar as relações entre a Dinamarca e a Groenlândia.
“Os groenlandeses ainda têm muitas queixas sobre a incapacidade da Dinamarca de reconsiderar seu passado colonial”, disse à AFP Ulrik Pram Gad, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais.
No entanto, acrescentou, “a pressão de Trump levou a ampla maioria do espectro político (groenlandês) (...) a deixar de lado, por agora, os preparativos para a independência”.
F.Müller--BTB