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Partido pró-militar proclama vitória nas eleições em Mianmar
O principal partido pró-militar de Mianmar saiu vencedor nas eleições organizadas pela junta militar, afirmou à AFP uma fonte do grupo, após um mês de votações consideradas por observadores como uma continuação do comando do Exército.
“Já conquistamos a maioria”, declarou um dirigente do Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), sob condição de anonimato por não estar autorizado a divulgar os resultados preliminares.
“Estamos em posição de formar um novo governo”, acrescentou a fonte, após a terceira e última fase das votações, realizada no domingo. Os resultados definitivos serão divulgados nesta semana.
O Legislativo que emergir das eleições deverá escolher o presidente do país quando o Parlamento iniciar suas funções em março.
Vários analistas se referem ao PUSD como um representante civil dos militares que tomaram o poder com um golpe de Estado em 2021, quando depuseram o governo da líder democrática e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.
Os militares garantiram que esta eleição devolverá o poder ao povo. Mas, cinco anos após o golpe, Aung San Suu Kyi continua detida e seu partido foi dissolvido, e críticos apontam que só se candidataram aliados do Exército às eleições.
Além disso, não houve votação em vastas áreas do país controladas por facções rebeldes, em confronto com o Exército em uma guerra civil deflagrada após o golpe.
O chefe da junta militar, Min Aung Hlaing, visitou no domingo vários centros de votação de Mandalay, a segunda maior cidade do país, vestido em traje civil.
Segundo disse a jornalistas, ele não descarta assumir a Presidência do novo governo. “O resultado eleitoral dentro de Mianmar nunca esteve em dúvida, mas o resultado eleitoral que mais importa é a resposta da comunidade internacional”, comentou na semana passada o especialista da ONU, Tom Andrews.
“A aceitação internacional desse exercício fraudulento será um retrocesso para uma resolução genuína desta crise”, assegurou.
Os partidos que conquistaram 90% das cadeiras legislativas nas eleições de 2020 não participaram da votação mais recente, segundo a Rede Asiática para Eleições Livres.
O.Krause--BTB