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Agentes migratórios começam a deixar Minneapolis enquanto avança investigação sobre morte de ativista
Agentes migratórios destacados em Minneapolis começarão a deixar a cidade nesta terça-feira (27), segundo autoridades locais, enquanto avançam as investigações sobre a morte a tiros de um ativista que filmava uma operação policial.
Ativistas indignados com a morte de Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos que registrava uma operação e morreu durante a detenção, foram ao local do ataque armado para deixar flores e objetos diante de um memorial improvisado.
"Obrigado por sua compaixão e amor por todos de quem você cuidou", dizia um cartaz deixado no local do incidente.
"Somos uma comunidade muito unida, diria até comparável à de qualquer outro estado, então é realmente bonito ver todos se reunirem assim e lutarem contra essas injustiças", disse à AFP a manifestante Jasmine Nelson, de 21 anos.
Pretti portava uma arma, e inicialmente a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, o acusou de "terrorista", o mesmo termo usado para qualificar outra ativista morta a tiros em 7 de janeiro, Renée Good, mãe de 37 anos, dentro de seu carro.
As declarações de Noem provocaram indignação entre ativistas e foram seguidas por uma clara desescalada por parte do governo Trump.
- Imagens de câmeras corporais -
A emissora Fox citou um porta-voz do Departamento de Segurança Interna que afirmou haver imagens de câmeras corporais dos agentes envolvidos na tentativa de detenção de Pretti.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou na rede social X que "alguns agentes federais" deixarão a cidade, sem informar quantos.
"Continuarei pressionando para que o restante dos envolvidos nessa operação vá embora", disse o prefeito, que acrescentou ter falado com Trump na segunda-feira: "O presidente concordou que a situação atual não pode continuar".
Trump reduziu o tom diante da comoção provocada pela morte do segundo ativista e anunciou o envio de seu "czar" migratório, Tom Homan, a Minneapolis, para informá-lo pessoalmente sobre a situação.
O comandante da Patrulha de Fronteira que liderava as operações em Minneapolis, Greg Bovino, deixará a cidade.
Minneapolis é uma cidade-santuário, ou seja, não coopera com as autoridades federais na repressão à imigração irregular.
Trump voltou a exigir na segunda-feira a cooperação das autoridades locais para evitar novas tragédias em uma de suas principais políticas.
A oposição democrata, por sua vez, exige o fim do envio do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e da Patrulha de Fronteira e ameaça inclusive bloquear no Senado votações orçamentárias iminentes.
Isso pode levar, no fim da semana, a um novo fechamento parcial do governo, como já ocorreu no fim de 2025.
O desconforto com esses episódios alcança inclusive o campo republicano.
Na segunda-feira, Chris Madel, um dos advogados que assessoraram o agente do ICE envolvido, anunciou que desistiu de disputar as prévias do partido para o cargo de governador de Minnesota.
"Não posso apoiar as represálias lançadas por republicanos em nível nacional contra os cidadãos do nosso estado, nem me considerar membro de um partido que faria isso", afirmou o jurista, conhecido por defender as forças de segurança.
Um tribunal de apelações recusou na segunda-feira voltar a bloquear as operações antimigratórias federais, como pedia uma medida de urgência apresentada por ativistas.
"Tivemos acesso e vimos os mesmos vídeos que o tribunal distrital", explicaram os três juízes do 8º Circuito.
"O que as imagens mostram são observadores e manifestantes com uma ampla gama de condutas, algumas pacíficas, mas muitas não. Também mostram agentes federais reagindo de diversas formas", acrescentaram.
Uma ação paralela, apresentada pelo procurador-geral de Minnesota, foi aceita por outra juíza federal.
C.Kovalenko--BTB