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Irã alerta para 'instabilidade' na região após 'ameaças' dos EUA
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, advertiu nesta terça-feira (27) que "as ameaças" dos Estados Unidos contra a república islâmica causarão instabilidade, depois que Washington deslocou um porta-aviões para o Oriente Médio.
O Irã vive uma onda de protestos que começou no fim de dezembro, devido à crise econômica, e resultou em um movimento em massa contra o governo teocrático, estabelecido com a revolução de 1979.
Washington não descartou uma nova intervenção militar contra Teerã por sua repressão aos protestos - que deixou milhares de mortos, segundo organizações de defesa dos direitos humanos - e enviou um grupo de ataque, liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, para águas do Oriente Médio.
Em conversa por telefone com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, o presidente iraniano criticou hoje "as ameaças" dos Estados Unidos e afirmou que elas "buscam perturbar a segurança da região e não conseguirão nada além de instabilidade".
Desde que autoridades iranianas iniciaram sua campanha de repressão às manifestações, no começo do mês, acompanhada de um apagão total da internet, Trump dá sinais contraditórios sobre uma possível intervenção.
"Temos uma grande Marinha perto do Irã. Maior que a da Venezuela", declarou Trump ao portal de notícias Axios, semanas após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em um ataque militar dos Estados Unidos.
"Eles querem chegar a um acordo. Eu sei disso. Ligaram inúmeras vezes. Querem conversar", acrescentou o presidente republicano.
Segundo o Axios, Trump se negou a discutir as opções apresentadas por sua equipe de segurança nacional. Analistas afirmam que elas incluem ataques a instalações militares ou ações seletivas contra o sistema clerical que governa o Irã desde a Revolução Islâmica que derrubou o xá.
- 'Em seu ponto mais fraco' -
O jornal The New York Times, por sua vez, informou que Trump recebeu vários relatórios de inteligência "que indicam que a posição do governo iraniano está se enfraquecendo" e que apontam que seu controle do poder "está em seu ponto mais fraco" desde a queda do xá.
O influente senador americano Lindsey Graham declarou ao jornal que falou com Trump nos últimos dias sobre o Irã e que "o objetivo é acabar com o regime".
"Eles podem até parar de matá-los [os manifestantes] hoje, mas se continuarem no poder no mês que vem, então os matarão", acrescentou.
Nos últimos dias, as autoridades iranianas têm se mostrado cautelosas.
Antes, Teerã havia afirmado que existia um canal de comunicação aberto entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o enviado americano Steve Witkoff, apesar de esses países inimigos não manterem relações diplomáticas.
No entanto, o jornal conservador Hamshahri citou nesta terça-feira o porta-voz da Guarda Revolucionária, Mohammad Ali Naini, que disse que "se o porta-aviões deles cometesse um erro e entrasse em águas territoriais iranianas, seria atacado". Mais tarde, o jornal se retratou dessa informação e pediu desculpas a Naini.
Por sua vez, o diário Javan, também conservador, afirmou que o Irã estava "pronto para uma resposta contundente" e que tomaria o estratégico estreito de Ormuz, um centro de trânsito fundamental para o fornecimento de energia.
Nesse contexto, surgiu em Teerã um outdoor com propaganda antiamericana que parece mostrar um porta-aviões americano sendo destruído.
- Tensão com vizinhos -
A tensão aumentou hoje com os países vizinhos. O Irã vai considerar "hostis" aqueles cujo território for usado para lançar ataques, advertiu um comando dos Guardiões da Revolução, força de elite da república islâmica.
"Os países vizinhos são nossos amigos, mas, caso seu território, espaço aéreo ou suas águas forem usados contra o Irã, eles serão considerados hostis", disse à agência Fars Mohammad Akbarzadeh, membro da cúpula das forças navais dos Guardiões.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi firme: "Se o Irã cometer o erro grave de atacar Israel, responderemos com uma força sem precedentes", afirmou, em entrevista coletiva transmitida pela TV.
- Repressão em massa -
Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que o bloqueio da internet, imposto por autoridades há quase três semanas, dificulta a contagem dos mortos e busca esconder a magnitude da repressão.
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirmou ter confirmado a morte de 6.126 pessoas e estar investigando outros 17.091 possíveis óbitos. Também informou que ao menos 41.880 pessoas foram detidas.
O canal de TV em farsi Iran International, sediado no exterior, afirmou no fim de semana que mais de 36.500 iranianos foram mortos pelas forças de segurança entre os dias 8 e 9 de janeiro, citando relatórios, documentos e fontes. Não foi possível verificar imediatamente a informação.
S.Keller--BTB