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Fronteira com Egito reabre a conta-gotas para os palestinos de Gaza
A passagem de Rafah entre a Faixa de Gaza e o Egito, fechada desde 2024, reabriu nesta segunda-feira(2) nos dois sentidos para os habitantes, que poderão atravessar a fronteira sob condições muito estritas.
A ONU e as organizações humanitárias vinham reivindicando a abertura da fronteira, mas, por ora, ela permanecerá fechada à entrada de ajuda internacional no território palestino, devastado por dois anos de guerra entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.
Um funcionário de alto escalão israelense anunciou na manhã desta segunda-feira a abertura da passagem fronteiriça nos dois sentidos para os residentes, após a chegada da missão europeia de vigilância EUBAM Rafah.
Segundo um meio de comunicação egípcio, nos primeiros dias apenas 50 pessoas poderão transitar. Já a televisão israelense Kan anunciou que cerca de 150 pessoas sairão de Gaza nesta segunda-feira, entre elas 50 doentes, e outras 50 chegarão do Egito. A fronteira abrirá cerca de seis horas por dia, acrescentou.
Uma fonte na fronteira declarou à AFP que apenas algumas dezenas de pessoas chegaram pelo lado egípcio na esperança de conseguir atravessar.
As autoridades israelenses, que controlam o posto fronteiriço pelo lado palestino, não mencionaram por enquanto um possível aumento da ajuda a Gaza, mergulhada em uma grave crise humanitária.
A ajuda internacional proveniente do Egito transita até agora pelo posto fronteiriço israelense de Kerem Shalom, a poucos quilômetros de Rafah.
- "Salva-vidas" -
Os doentes e feridos aguardavam com impaciência a reabertura da única passagem entre Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel.
“Quanto mais espero, pior fica o meu estado, e temo que os médicos tenham de amputar minhas duas pernas”, contou Zakaria, um homem de 39 anos ferido em 2024 em um bombardeio israelense.
“A passagem de Rafah é um salva-vidas”, opina outro ferido, Mohamed Nasir. “Preciso de uma operação séria que não está disponível em Gaza”, explicou.
Asma Al Arqan, uma estudante palestina, afirma que a abertura de Rafah é sinônimo de um futuro melhor porque lhe permitiria prosseguir os seus “estudos no exterior”.
A reabertura total de Rafah está prevista no plano do presidente americano Donald Trump para pôr fim à guerra desencadeada em 7 de outubro de 2023 pelo ataque do Hamas em solo israelense.
Esse ataque causou a morte de 1.221 pessoas do lado israelense, em sua maioria civis, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.
Desde essa data, pelo menos 71.795 palestinos morreram no pequeno território costeiro devido à campanha militar israelense de represália, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob a autoridade do Hamas. A ONU considera esse número confiável.
- Cessar-fogo frágil -
Israel e o Hamas se acusam diariamente de violar o cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro. Pelo menos 32 pessoas morreram no sábado em ataques israelenses, informou a Defesa Civil de Gaza. O Exército israelense afirma ter agido depois que militantes saíram de um túnel em Rafah.
O porta-voz do movimento palestino em Gaza, Hazem Qasem, advertiu no domingo que “qualquer obstrução ou condição prévia imposta por Israel” constituiria “uma violação” da trégua.
As autoridades israelenses condicionaram as travessias à obtenção de “uma autorização de segurança prévia”, em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão europeia em Rafah.
Os palestinos que desejarem voltar a Gaza poderão levar uma quantidade limitada de bagagem, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades limitadas de medicamentos, segundo a embaixada palestina no Cairo.
O posto fronteiriço está situado em um setor ainda ocupado pelo Exército israelense, do outro lado da linha amarela, que marca sua retirada de aproximadamente metade da Faixa de Gaza segundo a primeira fase do plano Trump.
Sua reabertura também deverá permitir a entrada em Gaza, em data ainda desconhecida, dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), encarregado de gerir o território durante um período de transição sob a autoridade do “Conselho da Paz” presidido por Donald Trump.
A.Gasser--BTB