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Trump afirma negociar o fim da guerra com alto cargo iraniano
Irã se prepara para negociações com EUA sobre seu programa nuclear
O Irã afirmou, nesta segunda-feira (2), que está se preparando para negociações com os Estados Unidos sobre o seu programa nuclear, enquanto o presidente Donald Trump tem se mostrado otimista quanto à possibilidade de um acordo, após vários dias de ameaças entre ambos os países.
"O presidente Masoud Pezeshkian ordenou a abertura de negociações com os Estados Unidos", publicou a agência de notícias Fars, citando uma fonte governamental.
Segundo o site de notícias americano Axios, que cita três fontes próximas aos diálogos, está prevista uma reunião na sexta-feira, em Istambul, entre o enviado americano, Steve Witkoff, e o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi. A agência iraniana Tasnim havia indicado anteriormente que as conversas provavelmente envolveriam estes dois responsáveis.
A pressão sobre Teerã intensificou-se desde o início de janeiro, após uma feroz repressão a uma onda de protestos que sacudiu o país, inicialmente contra o custo de vida, mas que se ampliou contra o regime teocrático que governa o Irã desde a revolução de 1979.
Após ter levantado a ameaça de uma intervenção militar e enviado navios ao Golfo, Trump afirmou no domingo que esperava “chegar a um acordo” com o Irã.
“Os países da região atuam como mediadores para a troca de mensagens”, explicou nesta segunda-feira o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei. Egito, Arábia Saudita e Turquia participaram das consultas.
“Estamos examinando e finalizando os detalhes de cada etapa do processo diplomático, que esperamos concluir nos próximos dias. Isso inclui o método e marco de trabalho”, acrescentou Baqaei.
O porta-voz, no entanto, negou ter recebido um ultimato por parte de Trump: o Irã “nunca aceita ultimatos”, sustentou.
- Uma "guerra regional" -
Na véspera, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia alertado para uma “guerra regional” em caso de uma ação militar dos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores da Jordânia garantiu nesta segunda-feira ao seu contraparte iraniano que não permitirá que seu território ou seu espaço aéreo sejam utilizados para lançar ataques contra a República Islâmica.
Segundo a agência Tasnim, que citou uma fonte bem informada, ainda não foram definidos o local nem a data, mas as conversas provavelmente ocorrerão em alto nível.
As duas partes mantiveram uma breve rodada de conversas em 2025, antes da guerra de 12 dias deflagrada em junho por Israel. Os diálogos emperraram na questão do enriquecimento de urânio.
Os Estados Unidos exigem que o Irã renuncie completamente ao enriquecimento, algo a que Teerã se recusa, alegando seu direito em virtude do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário.
“O presidente Trump diz ‘não às armas nucleares’ e estamos totalmente de acordo com esse ponto. (...) Claro, em troca, esperamos um levantamento das sanções”, disse Araghchi no domingo. “Portanto, esse acordo é possível. Não estamos falando de coisas impossíveis”, insistiu.
Países ocidentais suspeitam que a República Islâmica pretende se armar com uma bomba atômica, algo que Teerã nega.
Nas ruas de Teerã, Ali Hamidi, um aposentado de 68 anos, considera "inúteis" as "tensões atuais".
"Os Estados Unidos deveriam cuidar de seus próprios assuntos", disse à AFP, acrescentando que "os dirigentes iranianos também têm culpa por não atender às necessidades do povo".
- Prisão de estrangeiros -
Enquanto isso, no Irã, a repressão continua. A televisão estatal informou nesta segunda-feira que quatro estrangeiros, cujas nacionalidades não foram especificadas, foram detidos por “participação nos distúrbios”.
Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, mais de 42.000 pessoas foram detidas durante os protestos e 6.842 morreram, em sua maioria manifestantes.
As autoridades iranianas reconhecem a morte de milhares de pessoas, mas afirmam que a maioria eram agentes de segurança ou transeuntes assassinados por “terroristas”.
Segundo o governo, a onda de protestos foi orquestrada por Estados Unidos e Israel.
Embaixadores de países europeus em Teerã foram convocados após a União Europeia (UE) decidir designar a Guarda Revolucionária como “organização terrorista”.
O governo britânico anunciou nesta segunda a imposição de sanções contra 10 autoridades iranianas, incluindo o ministro do Interior.
H.Seidel--BTB