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Primeira-ministra do Japão promete 'mudança importante de política' após vitória esmagadora nas urnas
A primeira-ministra do Japão, a ultraconservadora Sanae Takaichi, afirmou nesta segunda-feira (9) que os eleitores querem uma "mudança importante de política" após conquistar uma vitória esmagadora nas eleições legislativas de domingo.
Segundo projeções, a coalizão do Partido Liberal Democrata (PLD) obteve 316 das 465 cadeiras da poderosa Câmara Baixa do Parlamento que estavam em disputa nas eleições legislativas antecipadas, convocadas por Takaichi no mês passado, para aproveitar sua popularidade após se tornar primeira-ministra em outubro.
Se os resultados oficiais forem confirmados, a primeira mulher a governar o Japão, que tem o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, obterá um mandato sólido para administrar o destino do país de 123 milhões de habitantes pelos próximos quatro anos.
"A população demonstrou compreensão e simpatia pelos nossos apelos sobre a urgência de uma mudança importante de política", declarou a chefe de Governo de 64 anos nesta segunda-feira, durante uma entrevista coletiva em Tóquio, na qual afirmou que está ciente da "grande responsabilidade de tornar o Japão mais forte e mais próspero".
O triunfo permitirá que ela avance com sua agenda ultraconservadora, que inclui aumento dos gastos com defesa, uma possível reforma da Constituição e normas migratórias mais rígidas, apesar da queda populacional.
Este seria o melhor desempenho do PLD desde 2017, quando a legenda, que domina a política japonesa há décadas, era liderada pelo mentor de Takaichi, Shinzo Abe, assassinado em 2022.
Os países asiáticos acompanharão de perto se Takaichi vai elevar ou moderar o tom, depois de ter enfurecido a China em novembro com seus comentários sobre Taiwan.
O governo chinês prometeu nesta segunda-feira uma "resposta contundente" caso "as forças de extrema direita no Japão façam uma leitura equivocada da situação e atuem de forma imprudente".
Takaichi disse que está aberta ao diálogo com a China. "Já temos trocas de pontos de vista. Continuaremos com as conversas. Mas vamos tratá-los de maneira serena e adequada", afirmou.
- Trump deseja "grande sucesso" -
Takaichi integra a ala ultraconservadora do PLD e é admiradora de Margaret Thatcher. Favorável à linha dura em temas de imigração, ela recebeu o apoio de Trump, que no domingo celebrou sua "vitória esmagadora".
"Foi uma honra apoiá-la e sua coalizão. Desejo grande sucesso na implementação de seu programa conservador, centrado na paz por meio da força", escreveu Trump em uma publicação na rede Truth Social.
O presidente americano disse que Takaichi demonstrou ser uma líder "sólida" e "sábia". Takaichi agradeceu as "palavras calorosas" de Trump e afirmou que reforçará com o republicano a "unidade inabalável" dos dois países durante sua próxima visita aos Estados Unidos.
Takaichi anunciou em 19 de janeiro a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento, o que desencadeou uma campanha relâmpago de 16 dias.
Ela assumiu o cargo em outubro, após a renúncia de seu antecessor, Shigeru Ishiba, e desde então conseguiu atrair novos eleitores, inclusive os jovens.
- Melhorar a economia -
O futuro da primeira-ministra depende, no entanto, do desempenho econômico da segunda maior economia da Ásia, fator que provocou a queda de seus dois antecessores.
"Com o aumento dos preços, o que mais me importa é quais políticas serão adotadas para enfrentar a inflação", declarou à AFP Chika Sakamoto, uma eleitora de 50 anos.
Após um pacote de estímulo de 135 bilhões de dólares (702 bilhões de reais) para mitigar os efeitos da inflação, a principal causa do descontentamento dos eleitores, Takaichi prometeu suspender o imposto sobre consumo de alimentos.
A dívida do Japão é o dobro do tamanho de sua economia e, nas últimas semanas, os juros dos títulos de longo prazo atingiram índices máximos históricos.
Na política externa, Takaichi é considerada um "falcão" em relação à China. Quando tinha apenas 15 dias no cargo, ela sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente caso Pequim tentasse tomar Taiwan à força.
A China considera a ilha, de regime democrático, parte de seu território e não descarta o uso da força para recuperá-la.
A reação de Pequim às suas declarações foi convocar o embaixador de Tóquio e recomendar que seus cidadãos não visitassem o Japão. O país também organizou manobras aéreas conjuntas com a Rússia.
S.Keller--BTB