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Cuba fica sem combustível para aviões em meio à pressão dos EUA
As autoridades informaram às companhias aéreas que operam em Cuba que o fornecimento de combustível ficará suspenso por um mês a partir da meia-noite de segunda-feira (9), devido à crise energética enfrentada pela ilha em meio à pressão dos Estados Unidos.
"A aviação civil cubana notificou todas as companhias de que não haverá mais fornecimento de Jet Fuel, o combustível de aviação, a partir de terça-feira, 10 de fevereiro, às 0h, hora local", afirmou à AFP, sob condição de anonimato, um executivo de uma companhia aérea europeia.
Por enquanto, a medida é anunciada por um período de um mês e obrigará as companhias que operam voos de longa distância a realizar uma "escala técnica" no retorno para garantir o abastecimento de querosene, explicou o executivo.
Os voos regionais devem conseguir manter suas conexões normalmente, acrescentou a fonte.
A companhia Air France em Havana informou à AFP que mantém sua rota, com uma escala técnica prevista em outro país do Caribe.
Cuba enfrenta uma gravíssima crise energética após o fim do fornecimento de petróleo pela Venezuela, depois da derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro.
A Rússia acusou na segunda-feira os Estados Unidos de asfixiar a ilha comunista. "A situação em Cuba é realmente crítica", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
"As medidas asfixiantes impostas pelos Estados Unidos estão causando muitas dificuldades ao país. Estamos estudando possíveis soluções com nossos amigos cubanos, ao menos para fornecer a assistência que pudermos", acrescentou.
Por sua vez, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, denunciou uma "agressão cruel" que busca "dobrar a vontade política dos cubanos".
"O cenário é duro e exigirá grande sacrifício. Nossa disposição ao diálogo é clara e conhecida. Isso foi reiterado de forma direta e pública", completou.
- Ajuda do México -
O México enviou no domingo a Cuba dois navios carregados com 814 toneladas de ajuda humanitária, enquanto o governo de Claudia Sheinbaum negocia uma eventual entrega de petróleo à ilha sem sofrer sanções dos Estados Unidos.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, agradeceu o envio em uma mensagem nas redes sociais que mostra fotos das embarcações. "Obrigado, #México. Pela solidariedade, pelo carinho, pelo abraço sempre caloroso a #Cuba", escreveu.
Como medidas de emergência, Havana anunciou a semana de trabalho de quatro dias e o teletrabalho nas administrações e empresas estatais, além de restrições na venda de combustível, para enfrentar a crise energética.
Também haverá redução dos serviços de ônibus e trens entre províncias, assim como o fechamento de determinados estabelecimentos turísticos.
As jornadas escolares serão mais curtas e as universidades funcionarão em regime semipresencial. As medidas devem permitir economizar combustível para favorecer "a produção de alimentos e a produção de eletricidade" e possibilitar "a salvaguarda das atividades fundamentais que geram divisas", declarou o vice-primeiro-ministro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, à televisão estatal.
Após interromper os envios a partir da Venezuela, o presidente Donald Trump assinou na semana passada um decreto que indica que os Estados Unidos podem impor tarifas aos países que vendem petróleo a Havana.
Trump também afirmou que o México deixará de fornecer petróleo a Cuba, como faz desde 2023.
Para justificar sua política, Washington invoca uma "ameaça excepcional" que, segundo afirma, Cuba representa. A ilha diz que Trump quer "asfixiá-los".
M.Odermatt--BTB