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Governo da Colômbia e ELN negociavam em sigilo antes de reunião com Trump
Um enviado do presidente colombiano Gustavo Petro negociava em sigilo com delegados da guerrilha ELN para tentar restabelecer os diálogos de paz um dia antes da reunião entre o mandatário e Donald Trump, informaram nesta terça-feira (10) os rebeldes e fontes do governo.
Petro se encontrou com seu colega americano na Casa Branca em 3 de fevereiro, depois de meses de enfrentamentos nas redes sociais, em um inédito cara a cara no qual concordaram em cooperar para enfrentar os rebeldes na fronteira com a Venezuela, após fracassos em sua tentativa de negociar um desarmamento.
Um dia depois, o Exército de Libertação Nacional (ELN) recebeu com perplexidade um bombardeio oficial na região fronteiriça de Catatumbo (nordeste) dadas as conversas em curso. O ataque deixou pelo menos 15 mortos, de acordo com o Exército colombiano.
Duas fontes do governo colombiano disseram à AFP nesta terça que um enviado do presidente se reuniu com a guerrilha nessa região antes da reunião com Trump, com vistas a retomar as conversas suspensas desde 2024 e enterradas definitivamente no início do ano passado, após um ataque rebelde que deixou mais de 100 mortos.
A imprensa local afirma que o responsável do governo estava em Catatumbo quando ocorreu o bombardeio.
O ELN assegurou que, horas antes da ofensiva militar, "havia concluído" uma reunião "que tentava retomar o processo de paz" com o enviado de Petro.
"A gravidade do ocorrido não reside no fato de Petro ter ordenado atos de guerra, mas sim no fato de esses atos anularem as alternativas de paz que estavam em curso e que ele próprio havia autorizado", sustenta o grupo armado de inspiração guevarista em comunicado.
Por ora, Petro não se pronunciou sobre essas afirmações.
Antes do encontro entre os presidentes em Washington, os Estados Unidos criticaram os processos de paz de Petro, que foi incluído na lista de sanções do Departamento do Tesouro americano por supostamente não realizar esforços para deter o narcotráfico.
Organizações e centros de estudo apontam que os diversos grupos armados que se financiam com o tráfico de cocaína na Colômbia se fortaleceram durante as tréguas estabelecidas com o governo em sua tentativa de firmar acordos de paz.
Depois de conversar com Trump, Petro se aproximou dos Estados Unidos. Por exemplo, as forças militares começaram a fazer publicações em inglês nas redes sociais e passaram de uma política de "paz total" para outra de guerra frontal contra o narcotráfico.
O ELN criticou o fato de Petro ter decidido "ceder" aos Estados Unidos e "colocar-se a serviço" de Trump.
J.Bergmann--BTB