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Homenagem a Lula abre Carnaval do Rio em meio a críticas
“Olé, olé, olé, olá, Lula, Lula!”: Com esse refrão, o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente abriu no domingo (16) o Carnaval do Rio no Sambódromo, em meio a críticas da oposição, que o tachou de propaganda em ano eleitoral e tentou impedi-lo em vão.
Quatro das 12 escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro desfilaram na primeira das três noites da divisão. A Acadêmicos de Niterói decidiu homenagear Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira vez que um presidente em exercício é objeto de um tributo na Marquês de Sapucaí.
O presidente assistiu de um dos camarotes ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, enquanto sua esposa, Rosângela “Janja” da Silva, que iria desfilar, acabou não entrando na avenida.
O espetáculo, com cerca de 3.000 pessoas, apresentou diferentes cenas da vida de Lula, desde suas origens humildes em Pernambuco até momentos-chave de sua vida política, como sua terceira posse, em 2023.
Lula apareceu representado em uma estátua gigante de estilo metálico e também em fotografias de sua vida exibidas em um telão, em um show que enalteceu suas políticas sociais.
- Alusões a Bolsonaro preso -
Também houve referências a seu maior rival político, Jair Bolsonaro. O famoso palhaço Bozo - como alguns que se opõem ao ex-presidente se referem a ele - apareceu em um carro alegórico atrás das grades e usando tornozeleira eletrônica.
O ex-presidente foi condenado no ano passado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e foi preso após violar a tornozeleira quando ainda estava em prisão domiciliar.
Além do cântico militante “Olé, olé, olé, olá, Lula, Lula!”, entoado por parte do público, o samba-enredo proclamou “sem anistia”, em referência aos esforços dos apoiadores de Bolsonaro para conseguir a suspensão de sua pena.
A oposição denunciou o desfile como equivalente a um ato de campanha meses antes de o período oficial começar, em agosto.
- Justiça adverte -
Lula, de 80 anos, busca um quarto mandato nas eleições de outubro. Bolsonaro indicou seu filho mais velho, o senador Flávio, como candidato à presidência.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade na quinta-feira os pedidos apresentados por dois partidos de oposição para impedir que a Acadêmicos de Niterói desfilasse, ao considerar que o espetáculo constitui “campanha eleitoral antecipada”.
A corte disse que não poderia proibir um desfile que ainda não havia ocorrido, já que não havia provas de violação da lei eleitoral, mas advertiu que poderia investigar irregularidades após o espetáculo.
- Contra-ataque com vídeo de IA -
Diante do clima de preocupação, o Partido dos Trabalhadores (PT) emitiu no sábado diretrizes para evitar roupas, faixas, slogans de campanha ou “expressões que constituam ofensas a opositores”.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro publicou no domingo nas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial (IA) em que se mostra um desfile sobre Lula, apresentando-o como um ladrão que enriquece às custas dos pobres.
“A Acadêmicos de Niterói está absolutamente tranquila quanto à questão eleitoral, porque sabemos que o que vai passar pela Avenida é tudo, menos qualquer campanha política”, defendeu antes do desfile à AFP Leonel Querino, um dos diretores da escola de samba.
Nelia Macedo, uma professora de 44 anos coberta de purpurina que assistiu ao espetáculo, celebrou a escolha do tema: “Uma homenagem super justa! Lula é lenda! Lula é lenda! Maior líder mundial!”.
Mas a aposentada Márcia Alves, de 59 anos, contestou: “Acho que não se deve misturar carnaval com política (...) É para todo mundo se divertir, cada um tem a sua opinião”.
A.Gasser--BTB