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Quais países da América Latina ajudam Cuba?
O bloqueio energético dos Estados Unidos a Cuba gerou diferentes respostas na América Latina: desde ajuda concreta de governos de esquerda até apoios políticos, ou mesmo silêncio diante da situação.
A ilha caribenha, sob governo comunista há mais de seis décadas, enfrenta há anos uma grave escassez de combustível.
Mas a crise no país latino-americano de 9,6 milhões de habitantes se agravou no mês passado, depois que o presidente americano, Donald Trump, cortou o fluxo de petróleo venezuelano após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela e ameaçou aplicar tarifas a qualquer país que venda hidrocarbonetos a Havana.
- Ajuda concreta -
O México, aliado histórico de Cuba, lidera o apoio material à ilha. Dois navios da Marinha mexicana chegaram na quinta-feira (13) a Havana com 814 toneladas de alimentos, e "mais de 1.500 toneladas" de ajuda humanitária aguardam transporte para a ilha, segundo a presidente, Claudia Sheinbaum.
O governo de esquerda de Sheinbaum enviou petróleo a Cuba até o início de janeiro. Parte desse petróleo integrava um esquema de "ajuda humanitária", informou a presidente, que suspendeu esses envios, embora tenha manifestado discordância com a ameaça de sanções tarifárias de Washington.
"Vamos continuar enviando ajuda humanitária, alimentos e algumas outras solicitações que o governo cubano nos fez", disse na terça-feira a presidente, cuja administração também abriu, na semana passada, um centro de arrecadação na Cidade do México.
No Chile, o também presidente de esquerda, Gabriel Boric, anunciou a doação de 1 milhão de dólares (R$ 5,23 milhões) a Cuba, iniciativa questionada pelo presidente eleito, o ultradireitista José Antonio Kast.
- Apoio político -
No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outro importante aliado de Havana, criticou a nova ofensiva dos Estados Unidos, mas não anunciou nenhum tipo de ajuda ao país caribenho.
Lula defendeu em 2025 o programa Mais Médicos, que levou ao Brasil profissionais de saúde cubanos por meio de um acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde. O envio de brigadas médicas ao exterior constitui a principal fonte de entrada de divisas de Cuba, com 7 bilhões de dólares (R$ 36,63 bilhões) em 2025, segundo dados oficiais.
O governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela também condenou as pressões de Trump e reiterou a "solidariedade de Caracas" com a ilha. Por ora, sua administração mantém no país um contingente de cerca de 13.000 profissionais de saúde cubanos.
Venezuela e Cuba são aliados próximos desde a presidência do falecido Hugo Chávez (1999-2013), e essa proximidade se manteve com seu sucessor, Nicolás Maduro, deposto em 3 de janeiro em uma incursão americana. Até então, o país sul-americano era o principal fornecedor de petróleo de Cuba.
A Nicarágua, único parceiro de Cuba na América Central, também não anunciou envios de ajuda material à ilha. Embora tenha expressado rejeição às sanções americanas, o governo de esquerda de Daniel Ortega restabeleceu a exigência de visto para cubanos.
A isenção de visto, vigente desde 2021, permitiu a Havana aliviar a pressão social após as históricas manifestações antigovernamentais de julho daquele ano, com o êxodo de milhares de habitantes da ilha.
- Sem sinais -
Os governos de esquerda da Colômbia e do Uruguai, liderados por Gustavo Petro e Yamandú Orsi, respectivamente, não anunciaram ajuda, embora Montevidéu tenha informado que estuda a situação.
El Salvador, governado pelo direitista Nayib Bukele, principal aliado de Washington na América Central, também não demonstrou sinais de apoio a Cuba. Tampouco o fizeram Panamá e Costa Rica, também governados pela direita.
Sob pressão de Trump, a Guatemala acaba de encerrar um acordo de 27 anos pelo qual milhares de médicos cubanos trabalharam no país. Os 412 profissionais de saúde cubanos que ainda estão lá deixarão o país nos próximos meses.
Honduras, cujo novo presidente, Nasry Asfura, é aliado de Trump, também planeja encerrar as brigadas médicas cubanas.
No Equador, o governo de Daniel Noboa, outro próximo ao presidente americano, não anunciou programas de ajuda humanitária a Cuba. No ano passado, na ONU, Quito se absteve pela primeira vez em mais de três décadas de votar a favor da suspensão do embargo comercial e financeiro que os Estados Unidos aplicam a Cuba desde 1962.
Em meio à crise energética, o governo argentino do direitista Javier Milei, outro apoiador das políticas de Trump em relação a Cuba, advertiu os cidadãos a evitarem viagens à ilha.
L.Janezki--BTB