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Mais de 200 presos políticos em greve de fome na Venezuela por exclusões na anistia
Mais de 200 presos políticos na Venezuela declararam greve de fome, incluindo um gendarme argentino acusado de "terrorismo", em protesto contra as exclusões contidas na recém-aprovada lei de anistia, informaram familiares neste domingo (22).
A greve de fome começou na noite de sexta-feira na prisão de El Rodeo, nos arredores de Caracas, enquanto outros detentos recebiam liberdade e uma comissão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) entrou neste domingo para examinar os reclusos. A comissão também conseguiu acesso a outras penitenciárias, como o temido Helicoide.
"É a primeira vez que nos deixam nos aproximar desse centro penitenciário", disse aos familiares Filippo Gatti, coordenador de Saúde do CICV para a Venezuela. "É um primeiro passo e eu acredito que estamos no caminho".
Os médicos desconheciam o chamado à greve, segundo a conversa com as famílias do lado de fora de El Rodeo.
"Quer dizer, como não estão recebendo atendimento médico lá dentro ou vocês não nos informaram de que essa situação está acontecendo", protestou Hiowanka Avila, uma das familiares.
Nem todos os detidos aderiram ao protesto, que segue outra greve de fome realizada por familiares na semana passada diante de outra prisão, para pedir agilidade em um processo de libertações antes da aprovação da anistia.
O Parlamento aprovou a lei na quinta-feira passada. Trata-se de uma iniciativa da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação americana em 3 de janeiro.
A lei exclui casos relacionados a temas militares, que são os mais frequentes em El Rodeo I.
Yalitza García disse à AFP que seu genro, o gendarme argentino Nahuel Agustín Gallo, aderiu ao protesto. Ela afirma que recebe informações sobre ele por meio de outros familiares e de algum dos agentes penitenciários.
Gallo foi detido em 8 de dezembro de 2024, acusado de terrorismo e conspiração.
O governo afirmou que uma comissão parlamentar estudará os casos excluídos pela anistia e não descarta indultos por parte do Executivo.
- "Saiu seu marido!" -
A anistia não é automática, segundo a lei: os beneficiários devem comparecer ao tribunal responsável por seu processo e solicitar a aplicação do benefício, que abrange fatos específicos ocorridos ao longo de 27 anos de chavismo.
O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, informou no sábado que 1.500 presos políticos na Venezuela solicitaram sua liberdade por meio da anistia. Ele também explicou que 11 mil pessoas em liberdade condicional terão liberdade plena graças à nova norma.
Um grupo de cinco pessoas foi recebido com aplausos ao sair da prisão. Levavam na mão seu documento de libertação.
"Decreto de arquivamento do processo por extinção da ação penal", lê-se na ordem de libertação de Wilfredo García, de 31 anos. Ele não tem clareza sobre o que aconteceu, apenas leu o documento e saiu.
"Fiquei detido um ano e meio (...) pude sair por causa da lei de Anistia", disse este homem acusado de "terrorismo", incitação ao ódio e dano a uma instalação elétrica.
"Olha, menina, saiu seu marido!", grita uma mulher ao celular em uma videochamada. "Amor, amor, acabei de sair... Não, não, calma", responde emocionado Robin Colina.
Ele disse que ouviu, enquanto sua saída era concretizada, que na segunda-feira 350 presos deixariam El Rodeo.
A ONG Foro Penal, dedicada à defesa de presos políticos, informou 23 libertações no domingo.
As autoridades não se pronunciaram sobre as libertações nem sobre a greve de fome. As informações são conhecidas por meio de familiares dos presos que não aderiram ao protesto e que conseguiram entrar na visita de fim de semana.
O Vente (Vamos, centro-direita), partido da vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, informou a libertação de pelo menos sete de seus dirigentes. "Em breve nos abraçaremos em liberdade!", escreveu a líder opositora no X.
Além dos sete membros do Vente, foi libertado Pedro Guanipa, irmão do aliado de Machado e ex-deputado Juan Pablo Guanipa.
"Confiamos que esta nova etapa política que o país vive abra as celas de todos os presos políticos. Continuaremos lutando para alcançar um país onde a liberdade e a democracia sejam uma realidade", escreveu o dirigente no X.
W.Lapointe--BTB