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Irã destaca progressos em negociações com EUA
Irã e Estados Unidos obtiveram progressos nas conversas desta quinta-feira (26) em Genebra, afirmou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi. As negociações indiretas buscam evitar uma guerra.
Mediado por Omã, o diálogo ocorre sob a ameaça do maior destacamento militar americano no Oriente Médio em décadas.
O Irã insiste em que as negociações devem se limitar ao programa nuclear, mas os Estados Unidos também querem discutir a questão dos mísseis e o apoio de Teerã a grupos armados no Oriente Médio.
As duas delegações conversaram durante a manhã na residência do embaixador de Omã, e participaram de outra rodada de reuniões, que terminou à tarde.
"Encerramos o dia com progressos significativos na negociação entre Estados Unidos e Irã", publicou no X o chanceler de Omã, Badr Al Busaidi. Ele acrescentou que "as discussões em nível técnico vão ocorrer na próxima semana, em Viena".
O chanceler do Irã destacou progressos e informou que estiveram na agenda o programa nuclear e o levantamento das sanções. Segundo ele, as conversas em nível técnico vão começar na próxima segunda-feira e haverá uma nova rodada de negociações em menos de uma semana.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, participou das negociações, informou uma fonte à AFP.
O presidente americano, Donald Trump, enviou ao Oriente Médio um dispositivo militar maciço que inclui um porta-aviões, o USS Abraham Lincoln, nove destróieres e outros três navios de combate. Além disso, mobilizou pelo Mediterrâneo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford.
- 'Soluções novas e criativas' -
O Wall Street Journal publicou hoje que a equipe de negociação dos Estados Unidos busca exigir que o Irã desmantele suas três principais instalações nucleares e entregue todo o urânio enriquecido.
Mais cedo, o chanceler de Omã informou que os negociadores mostraram "uma abertura sem precedentes a ideias e soluções novas e criativas".
Antes das negociações, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, insistiu em que seu país não busca ter armas nucleares.
"O tema das negociações está centrado na questão nuclear", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã. Ele afirmou que o país vai pressionar para obter o fim das sanções a que está submetido e pretende reiterar o seu direito "ao uso pacífico da energia nuclear".
Para o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, isso é "um grande problema". "Temos que falar sobre outros temas, que vão além do programa nuclear", advertiu.
O Irã desenvolveu "mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases" militares e quer produzir outros ainda mais poderosos, capazes de "alcançar em breve os Estados Unidos", afirmou na última terça-feira o presidente Trump, em seu discurso do Estado da União.
Teerã afirma que o alcance máximo de seus mísseis é de 2.000 km e definiu as acusações de Trump como "grandes mentiras".
O Irã dispõe de um amplo arsenal, em particular os Shahab-3, que podem alcançar Israel, seu inimigo declarado, e alguns países do leste da Europa. O presidente Pezeshkian considera que a negociação permite sair "da situação de nem guerra, nem paz".
- Negociações anteriores -
O governo dos Estados Unidos está representado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner.
Os dois países já dialogaram recentemente em Omã e em Genebra. Uma tentativa anterior de diálogo chegou ao fim quando Israel atacou o Irã em junho, o que deu início a uma guerra de 12 dias na qual os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas.
Emile Hokayem, analista de Segurança no Oriente Médio para o 'International Institute for Strategic Studies', considera que "a região parece esperar uma guerra neste momento".
Ele afirmou que vários países do Oriente Médio pressionaram em janeiro "para convencer os Estados Unidos" a não atacar o Irã.
"Mas há muita apreensão neste momento porque se espera que, desta vez, a guerra seja maior do que a de junho", completou.
M.Furrer--BTB