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França reforçará seu arsenal atômico e quer impulsionar a dissuasão europeia
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2) que o país aumentará seu número de ogivas nucleares e adiantou uma cooperação mais estreita com um grupo de oito países da União Europeia (UE) para proteger o continente.
Na base de submarinos nucleares de Île Longue, no oeste da França, Macron explicou que, em "um período de agitação geopolítica repleto de riscos", era necessário "reforçar" a capacidade de "dissuasão nuclear diante de múltiplas ameaças".
Macron, a pouco mais de um ano de deixar a presidência, afirmou que oito países europeus, entre eles Alemanha, Polônia e Reino Unido, aceitaram participar do que chamou de estratégia de "dissuasão avançada".
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, a UE e muitos de seus principais países têm defendido o reforço da estratégia de defesa diante da incerteza quanto ao compromisso americano com seus aliados da Otan.
Em um comunicado conjunto após o discurso de Macron, França e Alemanha disseram que essa estratégia "se somaria, não substituiria, à dissuasão nuclear da Otan".
Em sua intervenção, Macron afirmou que modernizar seu arsenal nuclear era "essencial". "Por isso ordenei um aumento do número de ogivas nucleares", acrescentou.
A França é a única potência nuclear da União Europeia desde a saída do Reino Unido do bloco. O país possui o quarto maior arsenal do mundo, estimado em cerca de 290 ogivas, longe dos milhares de que disporiam Estados Unidos e Rússia.
O plano de Macron implica usar o arsenal francês para reforçar a segurança do continente.
Os países desse grupo - que também inclui Suécia, Países Baixos, Bélgica, Grécia e Dinamarca - poderiam abrigar temporariamente as "forças aéreas estratégicas" francesas, que poderão "ser deslocadas por todo o continente europeu".
De acordo com Macron, a ideia é "complicar os cálculos de nossos adversários".
O esquema também poderia incluir "a participação convencional de forças aliadas em nossas atividades nucleares", disse.
- Horizonte eleitoral -
A nova doutrina nuclear de Macron responde em parte à agressividade da Rússia e ao distanciamento do tradicional aliado americano, que chegou a ameaçar usar a força para tomar a Groenlândia da Dinamarca, um país membro da Otan.
As garantias das autoridades americanas de que o guarda-chuva dissuasório de Washington continuaria cobrindo a Europa no âmbito da Otan não conseguiram apaziguar os temores europeus.
"A dissuasão avançada que propomos é um esforço distinto, que tem seu próprio valor e é totalmente complementar ao da Otan", disse Macron.
Ele também ordenou um aumento de suas ogivas nucleares e acrescentou que a França deixará de fornecer detalhes sobre seu arsenal.
Esse anúncio ocorre a pouco mais de um ano das eleições presidenciais que escolherão o sucessor de Macron, que não pode se candidatar após completar dois mandatos.
Nas pesquisas, desponta como favorito o partido Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen, de extrema direita e eurocético.
Rafael Loss, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores, advertiu que uma vitória da extrema direita "poderia atrasar muitos ou a maioria desses passos".
Macron já havia proposto em 2020 um diálogo dentro da UE sobre que papel poderia desempenhar a dissuasão nuclear da França. O país, apesar de ser membro da Otan, não coloca suas armas atômicas à disposição da aliança.
Seis anos atrás, a ideia de uma dissuasão europeia não prosperou, mas os equilíbrios mudaram com a invasão russa da Ucrânia em 2022 e a reeleição de Trump nos Estados Unidos.
P.Anderson--BTB