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Trump ameaça intensificar ataques ao Irã, que rejeita rendição
O presidente Donald Trump ameaçou, neste sábado (7), intensificar os ataques ao Irã, que prometeu que não se renderá aos Estados Unidos nem a Israel, apesar de uma nova série de bombardeios no oitavo dia de guerra.
A onda de ataques israelenses durante a madrugada de sábado foi uma das mais intensas desde o início da guerra, há uma semana. Entre os alvos estavam uma academia militar, um centro de comando subterrâneo e um depósito de mísseis.
Outro alvo dos bombardeios foi o aeroporto internacional de Mehrabad, um dos dois da capital iraniana, que sofreu um grande incêndio.
"Hoje o Irã será atingido com muita força!", publicou Trump em sua plataforma Truth Social.
"Sob séria consideração para a destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, estão áreas e grupos de pessoas que não eram considerados como alvos até este momento", ameaçou.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, já havia adotado um tom desafiador em relação ao homólogo americano, que na sexta-feira exigiu a "rendição incondicional" de Teerã para acabar com a guerra.
"Os inimigos levarão para o túmulo seu desejo de que o povo iraniano se renda", disse Pezeshkian em um discurso exibido na televisão.
Israel bombardeou, simultaneamente, vários alvos do Hezbollah no sul e leste do Líbano.
O partido-milícia pró-iraniano anunciou combates para impedir uma tentativa israelense de incursão nas imediações da fronteira síria. O Ministério da Saúde do Líbano anunciou um balanço de 41 mortos e 40 feridos nas ações de sábado.
O ministério relatou a morte de outras seis pessoas, incluindo quatro crianças, em um ataque israelense que não era parte da incursão, também no leste do país.
Quase 300 pessoas morreram em uma semana em bombardeios israelenses, segundo as autoridades libanesas.
- Ataques a dois petroleiros -
A República Islâmica, que há uma semana perdeu em um bombardeio o líder supremo do país, Ali Khamenei, prosseguiu com a campanha de represálias.
Neste sábado, foram ouvidas sirenes e explosões em Jerusalém e em cidades do Golfo como Dubai, Manama e Riade, onde as defesas sauditas interceptaram mísseis direcionados contra uma base aérea com militares americanos.
O aeroporto de Dubai, o de maior tráfego internacional do mundo, suspendeu suas operações por alguns minutos, mas pouco depois retomou parcialmente os voos após uma interceptação de projéteis. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o Irã lançou 15 mísseis e 119 drones contra seu território neste sábado.
Pezeshkian pediu desculpas às nações vizinhas do Golfo, incluindo muitos que abrigam bases americanas, e prometeu que não serão mais atacados, "exceto em caso de ataque contra o Irã a partir desses países".
A Jordânia acusou o Irã de disparar 119 projéteis contra o país desde o início da guerra e de atacar "instalações vitais".
A guerra também afeta o tráfego marítimo devido ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz, por onde, em um período normal, transita 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos em todo o planeta.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou neste sábado que atacou dois petroleiros no Golfo, um deles com bandeira das Ilhas Marshall. As duas ações utilizaram drones, segundo o exército ideológico da República Islâmica.
- Desastre humanitário -
A guerra, que entra na segunda semana, começou em 28 de fevereiro com a campanha conjunta de bombardeios israelenses e americanos no Irã, acusado de tentar desenvolver armamento atômico e de ameaçar Israel e EUA com seu arsenal de mísseis.
Desde então, o conflito atingiu o restante do Golfo, o Líbano, Chipre – país membro da UE que abriga duas bases britânicas –, Azerbaijão, Turquia e até as costas do Sri Lanka, onde um submarino americano torpedeou uma fragata iraniana.
Dentro do Irã, os danos a edifícios residenciais e infraestruturas prosseguem: os moradores de Teerã vivem ansiosos e atentos à grande presença de agentes das forças de segurança nas ruas.
"Não acredito que alguém que não tenha vivido uma guerra possa compreender", disse, aterrorizado, à AFP um professor de 26 anos de Teerã que pediu anonimato.
O Ministério da Saúde iraniano afirmou na sexta-feira que os ataques israelenses e americanos mataram 926 civis e deixaram quase 6.000 feridos. A AFP não tem condições de verificar os números de forma independente.
Dez pessoas morreram em Israel e 13 nos países do Golfo desde o início da guerra, em consequência das represálias iranianas. As forças americanas perderam seis membros desde o início do conflito.
No Líbano, arrastado para a guerra na segunda-feira, quando o Hezbollah disparou projéteis contra Israel, o primeiro-ministro Nawaf Salam advertiu que o país está próximo de um "desastre humanitário".
Quase 300.000 pessoas abandonaram suas casas no sul e no leste do país e na periferia sul de Beirute, reduto do Hezbollah, segundo a ONG Conselho Norueguês para os Refugiados.
- Inteligência russa -
Segundo a imprensa americana, a Rússia fornece informações ao Irã sobre possíveis alvos americanos, mas Washington minimizou a possibilidade.
"Não estamos preocupados. Vamos lidar com isso, se for necessário", declarou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, segundo trechos divulgados de uma entrevista ao programa "60 Minutes" da CBS, que deve ser exibida no domingo.
Na sexta‑feira, Trump prometeu ajudar a reconstruir a economia iraniana se Teerã nomear alguém "aceitável" como sucessor de Khamenei.
Antes da eleição do novo líder supremo, o país é governado interinamente por um triunvirato integrado pelo presidente Pezeshkian, pelo chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejeí, e por um dirigente religioso membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho dos Guardiães da Constituição, Alireza Arafi.
Amir Saeid Iravani, embaixador do Irã na ONU, afirmou que Washington não terá qualquer papel na escolha do próximo líder supremo, figura com mais poder do que o presidente em Teerã e que tem a palavra final em questões de política externa.
burs/avl/dbh/fp
C.Meier--BTB