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Venezuela libera 17 presos políticos duas semanas após anistia
Pelo menos 17 presos políticos foram libertados no sábado (7) de uma penitenciária em Caracas, onde parentes dos detentos haviam protestado e se acorrentado do lado de fora do complexo para exigir a libertação do grupo
Uma lei de anistia foi sancionada há duas semanas pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que governa a Venezuela desde a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana em 3 de janeiro.
O irmão de Delcy, Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, anunciou em 8 de janeiro o início de um processo de liberações.
"Vistam-se que vão todos embora", disse um agente penitenciário aos detentos, afirmou à imprensa o opositor Omar Torres ao sair da prisão da Polícia Nacional, conhecida como Zona 7.
"Estou muito feliz, acho que não é o momento de culpar ninguém, estou feliz por estar livre", disse Torres.
Ao contrário dos libertados em outras prisões, que receberam o arquivamento de seus processos, os detentos da Zona 7 saíram com medidas restritivas e devem comparecer aos tribunais para obter a liberdade plena.
Quase 500 pessoas continuam privadas da liberdade por motivos políticos, incluindo militares e estrangeiros, segundo a ONG Foro Penal.
"Uma nova Venezuela, seguimos avançando, seguiremos construindo, seguiremos buscando a melhoria e a liberdade dos outros presos políticos", disse Brayan Orozco, filho do ex-deputado Fernando Orozco, ambos libertados.
"Obrigado ao povo da Venezuela, às mulheres lutadoras, se não fosse pelas mulheres, se não fosse pela imprensa, isso não seria conhecido mundialmente", afirmou em meio a gritos de "liberdade, liberdade", abraços e choro.
Parentes de detentos pernoitam em barracas diante do centro penitenciário há dois meses. Algumas mulheres iniciaram uma greve de fome, suspensa após as libertações de 14 de fevereiro, quando 17 pessoas deixaram a prisão.
Os familiares haviam solicitado a presença de Delcy Rodríguez e da encarregada de Negócios dos Estados Unidos, Laura Dogu.
Mais de 620 presos políticos foram libertados desde 8 de janeiro, incluindo mais de 100 após a promulgação da anistia, segundo o Foro Penal.
O governo afirma que 7.365 pessoas, entre detidos e pessoas com liberdade condicional, receberam liberdade plena.
"Fui detido por reivindicar um direito dos trabalhadores", disse Gilberto Alcalá.
"Agradeço muito à nossa principal líder, María Corina Machado, e a todos os dirigentes sindicais do setor da construção que me apoiaram nesta luta", acrescentou.
F.Pavlenko--BTB