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Redução da presença militar chinesa perto de Taiwan provoca dúvidas
Taiwan não detectou a presença de nenhum avião militar chinês ao redor da ilha em nove dos últimos 10 dias, o que gerou dúvidas entre analistas sobre os motivos da redução da mobilização das forças de Pequim.
A China, que considera Taiwan parte de seu território, intensificou nos últimos anos a pressão militar sobre a ilha de governo autônomo, com o deslocamento de caças e navios de guerra quase todos os dias.
Contudo, desde 28 de fevereiro, apenas dois aviões chineses foram registrados em um período de 24 horas nas imediações de Taiwan, segundo um levantamento da AFP baseado em números divulgados diariamente pelo Ministério da Defesa taiwanês.
Em comparação, no mesmo período do ano passado, foram detectadas 86. Este é o maior período de tempo sem detecções desde que a AFP começou a registrar os números em 2024.
Ao mesmo tempo, foi detectada a média de seis navios militares chineses por dia ao redor da ilha nos últimos 10 dias, número similar ao registrado no mesmo período em 2025.
Analistas apontam diferentes razões em potencial para explicar a queda expressiva da presença de caças.
Entre as possibilidades citadas estão as reuniões políticas anuais chinesas, conhecidas como "Duas Sessões", que acontecem atualmente em Pequim, e os expurgos recentes na hierarquia militar. Também mencionam a viagem que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve fazer em breve a Pequim, onde se reunirá com seu homólogo chinês, Xi Jinping, assim como o conflito no Oriente Médio.
"Eu não esperava ficar preocupado com a interrupção das operações do EPL (Exército Popular de Libertação, o exército chinês) ao redor de Taiwan, mas a falta de uma explicação racional é desconcertante", escreveu no Substack Drew Thompson, da Escola S. Rajaratnam de Estudos Internacionais, vinculada à Universidade Tecnológica de Nanyang, de Singapura.
Ben Lewis, da consultoria PLATracker, afirmou que "é uma interrupção significativa em uma atividade de rotina".
"Quanto mais tempo persistir a lacuna de atividade, mais preocupado eu ficarei com as implicações mais amplas, mas não vi nenhum indício de que a RPC (China) estaria se preparando para qualquer ação militar importante", disse Lewis à AFP.
O.Bulka--BTB