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Trump diz que fim da guerra com o Irã está próximo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta segunda-feira (9) que a guerra contra o Irã poderia estar chegando ao fim, apesar de Teerã continuar com seus ataques com mísseis e drones contra seus vizinhos do golfo Pérsico.
Essas últimas declarações provocaram imediatamente a queda dos preços do petróleo, que haviam disparado durante a sessão de negociações, e a alta das bolsas.
"Acho que a guerra praticamente terminou", declarou Trump à CBS News, argumentando que o Irã já não contava com "Marinha", nem "comunicações" nem "força aérea".
Foi uma "pequena incursão", declarou posteriormente em um discurso diante de um grupo de legisladores republicanos.
Ele também disse que eliminará algumas sanções petrolíferas e que atacará o Irã "muito, muito duramente" se o país obstaculizar o fornecimento de petróleo.
Na entrevista por telefone à CBS a partir de Miami, afirmou ainda que estava "considerando assumir o controle" do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial.
Essa via marítima estratégica permanecerá intransitável enquanto a guerra continuar, advertiu nesta segunda-feira o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.
— "Último suspiro" —
No Irã, o regime mobilizou seus partidários para celebrar a nomeação de Mojtaba Khamenei como líder supremo, em substituição ao pai, o aiatolá Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro, primeiro dia da guerra, em ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo o Irã, 1.200 pessoas morreram desde o início da ofensiva israelense-americana.
A AFP não pode verificar de forma independente os números de mortos fornecidos pelas partes envolvidas.
"Deus é grande", "Morte aos Estados Unidos", "Morte a Israel", gritavam milhares de iranianos, vestidos de preto, em uma praça central de Teerã, reunidos em apoio ao novo líder de 56 anos, próximo à Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica.
"Nós o apoiaremos e obedeceremos todas as suas ordens até nosso último suspiro", declarou à AFP Somayeh Marzoughi, uma dona de casa de 35 anos.
No entanto, o novo líder supremo ainda não apareceu em público.
Israel já o designou como "alvo" e o qualificou como um "tirano disposto a perpetuar a brutalidade do regime iraniano".
Nesta segunda-feira, Trump reiterou seu descontentamento com essa decisão e lamentou um "grave erro" da liderança iraniana.
O exército israelense anunciou nesta segunda-feira que na noite anterior havia concluído uma onda de ataques contra seis bases aéreas no Irã, que, segundo afirmou, eram utilizadas para "armar e financiar" aliados de Teerã, incluindo o grupo xiita libanês Hezbollah e os rebeldes huthis no Iêmen.
A infraestrutura petrolífera iraniana também foi alvo de ataques aéreos israelenses e americanos.
Por sua vez, o Irã continua com seus ataques de represália, dirigidos contra o território israelense e a infraestrutura petrolífera de seus vizinhos na região.
Um segundo míssil iraniano também foi interceptado sobre a Turquia, o que provocou uma advertência de Ancara a Teerã.
Soube-se do míssil depois que Washington instou todos os seus cidadãos a abandonar o sudeste da Turquia, onde há tropas americanas estacionadas em várias bases.
— Flutuações do ouro negro —
A conflagração no Oriente Médio provocou um aumento repentino dos preços do petróleo.
Com o Estreito de Ormuz diante do Irã bloqueado para quase todos os petroleiros, o preço dos contratos de referência do petróleo disparou acima de 100 dólares por barril — seus níveis mais altos desde a invasão russa da Ucrânia em 2022 — antes de recuar após as declarações de Trump sobre um eventual fim próximo da guerra.
Os preços de referência do petróleo subiram entre 40% e 50% desde que os Estados Unidos e Israel lançaram seu ataque, enquanto as bolsas de todo o mundo caíram, afetando fundos de pensão e poupanças.
— Hezbollah e Putin —
A milhares de quilômetros do Irã, no Líbano, o Hezbollah jurou lealdade nesta segunda-feira ao novo líder supremo iraniano.
O presidente libanês, Joseph Aoun, acusou o movimento xiita de querer provocar o colapso do Líbano ao atacar Israel.
"Não nos resta outra opção além da resistência para preservar nossa honra", respondeu Mohamed Raad, chefe do bloco parlamentar do Hezbollah.
Israel vem bombardeando implacavelmente seu vizinho desde que o Hezbollah envolveu o país na guerra em 2 de março com um ataque em território israelense.
Pelo menos 486 pessoas morreram em ataques israelenses no Líbano e mais de meio milhão foram deslocadas, segundo as autoridades.
O presidente russo, Vladimir Putin, aliado de Teerã, assegurou a Mojtaba Khamenei seu "apoio inabalável".
Iraque e Omã, que mediaram as recentes negociações entre Estados Unidos e Irã, felicitaram Mojtaba Khamenei por sua nomeação.
O papa Leão XIV, por sua vez, expressou seu "profundo pesar" por "todas as vítimas dos recentes bombardeios no Oriente Médio", entre elas "diversas crianças" e um sacerdote libanês.
burx-dla/anb/mas-jvb-erl/fp/aa/an/lm/aa/ic/am
K.Brown--BTB