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Novo líder supremo do Irã promete vingança e diz que Estreito de Ormuz ficará fechado
O aiatolá Mojtaba Khamenei prometeu vingança em sua primeira mensagem como novo líder supremo do Irã e defendeu que o estratégico Estreito de Ormuz permaneça fechado como forma de exercer pressão na guerra contra os Estados Unidos e Israel.
A guerra paralisou o Estreito de Ormuz e, consequentemente, uma parte vital do tráfego global de hidrocarbonetos que passa pela região, causando "a maior interrupção" no fornecimento de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
"O trunfo do bloqueio do Estreito de Ormuz deve ser usado definitivamente", declarou Khamenei em um comunicado lido na televisão estatal, que não abordou as especulações sobre sua saúde, já que ele não aparece em público desde o início do conflito e circulam relatos de que foi ferido.
A Guarda Revolucionária anunciou pouco depois que, em resposta às "ordens" de Khamenei, atacaria com mais força o inimigo e manteria "a estratégia de fechar o Estreito de Ormuz".
O novo líder foi nomeado no domingo para substituir seu pai, Ali Khamenei, que morreu no início dos ataques israelenses e americanos ao Irã, em 28 de fevereiro.
- "Apavorados" -
O Comando Central dos EUA afirmou que suas forças atacaram quase 6.000 alvos iranianos desde o início da guerra, incluindo 90 embarcações.
Em Teerã, a população vive aterrorizada pelos bombardeios, e um morador relatou que o estado psicológico de muitas pessoas é muito precário porque acreditavam que não haveria guerra.
"Muitos estão apavorados, tentam se tranquilizar mutuamente, dizem que apenas instalações militares serão bombardeadas", disse o homem. "Mas a verdade é que pessoas comuns estão sendo alvejadas".
"As pessoas tentam comprar doces e chocolates para seus filhos. Tentam acalmá-los, mas as crianças sabem de tudo e entendem. Elas falam sobre as bombas, mesmo que os adultos mintam sobre as explosões", afirmou.
Além disso, cerca de 3,2 milhões de iranianos foram deslocados dentro do próprio país desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
- Irã autoriza passagem de alguns países por Ormuz -
Em sua mensagem, Khamenei instou os países do Golfo a fecharem as bases militares americanas, que têm sido alvo de ataques iranianos em retaliação à campanha de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O Irã permitiu que navios de alguns países cruzassem o Estreito de Ormuz, disse à AFP o vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht Ravanchi, negando que a república islâmica tenha colocado minas nessa via estratégica para o trânsito de petróleo e gás.
Apesar das consequências econômicas do conflito, o presidente americano, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira que impedir o Irã de obter armas nucleares é mais importante do que controlar os preços do petróleo.
"Para mim, como presidente, é de muito maior interesse e importância deter um império do mal", disse em sua plataforma Truth Social.
Os países do Golfo reduziram sua produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que é efetivamente controlado por Teerã, de acordo com um relatório da AIE, organização sediada em Paris.
Os 32 países-membros dessa organização, entre eles os Estados Unidos, decidiram liberar um recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, mas o petróleo estava sendo negociado acima de US$ 100 (cerca de R$ 515) por barril.
- Uma "guerra de desgaste" -
Explosões foram ouvidas no centro de Dubai nesta quinta-feira e o Bahrein relatou um ataque iraniano a depósitos de hidrocarbonetos na noite anterior.
Em Omã, instalações de armazenamento de combustível no porto de Salalah também pegaram fogo no dia anterior após serem atingidas por drones, segundo um vídeo publicado pela AFP, enquanto a Arábia Saudita relatou outro ataque de drones ao campo petrolífero de Shaybah, no leste do país.
Um ataque a dois petroleiros na costa do Iraque, cuja origem ainda é desconhecida, deixou pelo menos uma pessoa morta e várias desaparecidas, informou a autoridade portuária.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, reiterou que a estratégia do Irã é uma "guerra de desgaste" para "destruir toda a economia americana" e "global", anunciou o alto comandante Ali Fadavi.
Em outra frente, Israel continuou seus ataques no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, com intensos bombardeios na capital libanesa.
As autoridades libanesas registraram mais de 800 mil deslocados e quase 700 mortes no país desde 2 de março.
burs/lgo/maj/arm/pc/an/ahg/aa/mvv
W.Lapointe--BTB