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Irã confirma morte de Larijani e Israel promete mesmo destino a líder supremo Mojtaba Khamenei
O Irã confirmou nesta terça-feira (17) a morte de Ali Larijani, seu poderoso chefe de segurança, considerado um dos líderes mais influentes da República Islâmica, e Israel prometeu "perseguir, encontrar e neutralizar" o novo líder supremo Mojtaba Khamenei.
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, Larijani foi atingido por ataques de "caças americanos e israelenses na casa de sua filha".
Várias horas antes, a Guarda Revolucionária confirmou a morte de Gholamreza Soleimani, chefe da milícia Basij, o principal aparato repressivo do Irã.
Israel Katz, ministro da Defesa de Israel, havia anunciado anteriormente a morte de ambos.
Larijani desempenhou um papel muito relevante desde o início da guerra, enquanto persiste a incerteza sobre a situação do aiatolá Mojtaba Khamenei.
O Exército israelense indicou nesta terça-feira que está determinado a "localizar, encontrar e neutralizar" o novo líder supremo iraniano, que não apareceu em público desde sua designação há mais de uma semana.
Essas duas mortes representam um duro golpe para a República Islâmica em meio a uma guerra na qual mais de 1.000 pessoas morreram e milhões foram obrigadas a se deslocar no Oriente Médio, especialmente no Líbano e no Irã.
Larijani, matemático e filósofo de formação, e veterano da guerra Irã-Iraque (1980-1988), foi ministro da Cultura, diretor da radiotelevisão pública, negociador-chefe do programa nuclear, presidente do Parlamento, candidato presidencial e, mais recentemente, chefe do Conselho Supremo de Segurança.
Ele figurava entre os funcionários sancionados pelos Estados Unidos em janeiro pelo que Washington classificou como "repressão violenta do povo iraniano", após os protestos nacionais que eclodiram semanas antes.
A televisão iraniana exibiu imagens de multidões reunidas com bandeiras iranianas após o chamado das autoridades para se manifestarem contra os "complôs" do inimigo.
Nessa época, os iranianos costumam sair às ruas para celebrar o Ano Novo persa, e jornalistas da AFP relataram que houve festividades em Teerã com fogos de artifício, em meio aos estrondos dos sistemas de defesa antiaérea.
- "Erro absurdo" -
Desde o início da guerra, o Irã ataca interesses americanos, instalações energéticas e infraestrutura civil de seus vizinhos do Golfo e, como medida adicional de pressão, mantém um bloqueio sobre o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo e gás.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer que as grandes potências ajudem em uma missão para desbloquear essa via e classificou como um "erro realmente estúpido" a recusa de vários países da Otan em prestar ajuda para proteger o tráfego de petroleiros.
Por enquanto, a Aliança Atlântica descarta essa possibilidade, assim como outros aliados.
Além disso, o mandatário republicano criticou o primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, por rejeitar seu pedido de ajuda.
"Ele não demonstrou apoio, e acho que isso é um grande erro", disse Trump a jornalistas no Salão Oval. "Estou decepcionado".
No cenário interno, Trump enfrenta o anúncio da renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (NCTC), Joseph Kent, que deixou o cargo nesta terça-feira alegando que "não pode, em consciência, apoiar a guerra em curso no Irã".
Trump declarou que a renúncia é "algo bom", pois classificou Kent como alguém "muito fraco em matéria de segurança".
- "Não temos espaço" para os deslocados -
O Líbano se tornou outro front desde que o movimento pró-iraniano Hezbollah atacou Israel em 2 de março para vingar a morte do anterior líder supremo, Ali Khamenei. Desde então, 912 pessoas morreram no Líbano e há mais de um milhão de deslocados.
Se a guerra no Oriente Médio se expandir, poderá provocar uma crise de refugiados "permanente", advertiu nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan.
Em Sidon, no sul do Líbano, muitos deslocados dormem em seus carros devido à falta de abrigos.
"Todos os dias chegam muitas pessoas procurando refúgio, mas já não temos espaço", disse Jihan Kaisi, diretora de uma ONG que administra uma escola transformada em abrigo, onde vivem mais de 1.100 pessoas em condições de superlotação.
burx-roc/ms/mas-erl-an/am
C.Meier--BTB