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Onda de calor sufoca Europa e coloca redes elétricas à prova
A onda de calor na Europa, com temperaturas recordes que avançam para o leste, afeta quase 100 milhões de pessoas e coloca as redes elétricas à prova, com sobrecargas e dezenas de milhares de habitantes sem energia.
Pelo menos 94 milhões de pessoas enfrentarão temperaturas acima de 35°C em algum momento desta quarta-feira (24), segundo cálculos da AFP, a maioria delas na França e na Espanha.
Várias regiões do Reino Unido foram colocadas em alerta vermelho para calor extremo até a noite de quinta-feira. Esta é a segunda vez que esse alerta é ativado desde 2021, ano em que foi criado.
Mais de 350 milhões de europeus — quase dois terços da população, excluindo a Turquia — enfrentarão temperaturas acima de 30°C, segundo previsões meteorológicas e projeções demográficas.
Em resposta, Amsterdã oferece piscinas gratuitas, Bruxelas e Paris reduzem o horário de funcionamento para turistas, e a Europa Central se prepara para o avanço do calor.
- Temperaturas recorde -
Com temperaturas recordes resultantes de uma enorme massa de ar quente vinda da África, posicionada sobre a Europa Ocidental e comprimida pela alta pressão atmosférica, a França vive seu quarto dia consecutivo sob alerta vermelho devido à onda de calor, com 58 departamentos afetados.
Segundo a agência pública Météo-France, terça-feira foi "o dia mais quente já registrado na França" desde 1947. Mais de 90% da população francesa está exposta a temperaturas extremas, com máximas entre 39ºC e 41°C ainda previstas para esta quarta-feira em grande parte do país.
O fenômeno forçou a redução dos níveis de operação em algumas usinas nucleares. No oeste da França, geradores tiveram que ser conectados com urgência para fornecer energia a lares de idosos afetados por uma falha em um transformador "relacionada ao calor intenso".
Cerca de 68.000 residências estão sem energia elétrica até pelo menos "o final do dia", de acordo com a Prefeitura.
- Saúde "em risco" -
"A onda de calor que atinge a Europa força o fechamento de escolas e coloca em risco a saúde pública", alertou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede X.
"Os dados são claros: as temperaturas em toda a Europa estão subindo a um ritmo aproximadamente duas vezes maior que a média global, aumentando a probabilidade e a gravidade de futuros eventos de calor extremo", afirmou.
As autoridades públicas enfrentam críticas principalmente no que diz respeito ao isolamento térmico de escolas e hospitais.
A líder da extrema direita francesa Marine Le Pen prometeu "um plano massivo de ar-condicionado" caso vença as eleições presidenciais de 2027.
Y.Bouchard--BTB