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EUA anuncia bloqueio naval completo; Irã ameaça obstruir exportações de petróleo
O governo dos Estados Unidos intensificou nesta quarta‑feira (15) a pressão sobre o Irã com um bloqueio naval, mas a República Islâmica ameaça obstruir as exportações no Mar Vermelho em represália.
O Comando Central dos Estados Unidos anunciou durante a noite nas redes sociais que o bloqueio foi "plenamente aplicado" e que as forças americanas "interromperam completamente o comércio econômico que entra e sai do Irã pelo mar".
Contudo, o cenário com base nos dados de rastreamento marítimo de terça‑feira era menos claro. Ao que parece, vários navios que zarparam de portos iranianos atravessaram o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio.
- Ameaça iraniana -
Nesta quarta-feira, o Irã ameaçou bloquear o Mar Vermelho, ao qual não tem acesso territorial.
Se Washington prosseguir com o bloqueio marítimo e "criar insegurança para os navios comerciais do Irã e para os petroleiros", isto significará "o prelúdio" de uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril, afirmou o general Ali Abdollahi, comandante das Forças Armadas iranianas.
"As poderosas Forças Armadas da República Islâmica não permitirão qualquer exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho", acrescentou, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.
Com o bloqueio, analistas afirmam que Trump pretende não apenas asfixiar as receitas iranianas, mas também pressionar a China, maior compradora de petróleo do Irã, para que convença Teerã a reabrir o estreito.
O presidente americano disse que pediu ao homólogo chinês, Xi Jinping, que não forneça armas ao Irã e que o chefe de Estado do país asiático respondeu que não estava fazendo, em uma entrevista ao canal Fox Business exibida nesta quarta‑feira.
Em declarações ao jornal New York Post na terça-feira, Trump abriu, no entanto, a porta para o reinício das negociações de paz com o Irã "nos próximos dois dias", após o fracasso da primeira rodada de conversações no fim de semana passado.
Também na terça-feira, Israel e Líbano, dois países tecnicamente em guerra há décadas, concordaram em iniciar conversações diretas após uma incomum reunião presencial em Washington.
As Bolsas subiram e o preço do petróleo caiu diante das esperanças de um acordo que permita o retorno do fluxo de combustíveis pelo Estreito de Ormuz. A passagem estratégica está bloqueada pelas forças iranianas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, data dos primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Duas fontes do governo do Paquistão disseram à AFP que Islamabad tenta convencer Washington e Teerã a retomarem o diálogo. O primeiro‑ministro Shehbaz Sharif iniciou uma intensa viagem diplomática de quatro dias que passará por Arábia Saudita, Catar e Turquia.
Ao mesmo tempo, Washington pressiona pelo fim do conflito entre Israel e o grupo libanês pró‑iraniano Hezbollah, por temer que esta frente de batalha coloque em perigo o cessar‑fogo de duas semanas com o Irã e uma solução para a guerra.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel.
Os embaixadores dos dois países se reuniram na terça-feira em Washington para as primeiras conversações diretas de alto nível entre as partes desde 1993, com a mediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O representante israelense, Yechiel Leiter, chamou de "conversa maravilhosa" o diálogo entre as partes, mas sua homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad, foi menos efusiva sobre o diálogo "construtivo". Ela afirmou que pressionou para obter um cessar-fogo.
O Departamento de Estado afirmou que "todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas em um momento e local mutuamente acordados".
Israel ocupa partes do sul do Líbano e resiste a qualquer trégua nos combates com o Hezbollah, alegando que o grupo continua sendo o principal obstáculo à paz.
- "Grande acordo" -
A disputa de décadas sobre o programa nuclear iraniano é o principal fator que condiciona o processo de negociações entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o vice-presidente americano, JD Vance, um "grande acordo" foi oferecido à República Islâmica.
Trump iniciou a guerra com o argumento de que o Irã estava próximo de fabricar uma bomba atômica, uma afirmação que não encontra respaldo no órgão de controle nuclear da ONU. Teerã insiste que seu programa nuclear tem fins civis.
Segundo a imprensa americana, o governo dos Estados Unidos solicitou uma suspensão de 20 anos do programa de enriquecimento de urânio do Irã durante as conversações em Islamabad, enquanto Teerã propôs a suspensão das atividades nucleares por cinco anos, uma oferta rejeitada pelos representantes americanos.
Vance afirma que Trump prometeu "fazer o Irã prosperar" se o país assumir o compromisso de "não ter uma arma nuclear".
burs-ec/dcp/hgs/erl/fp-jc
J.Fankhauser--BTB