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Bases militares dos EUA, megapresídios, dolarização: as propostas do presidente eleito da Colômbia
O advogado milionário Abelardo de la Espriella governará a Colômbia alinhado aos princípios da direita que recupera terreno no continente, com propostas de construir megapresídios e se aliar sem reservas aos Estados Unidos para combater o narcotráfico.
Com um discurso de mão dura e contra a política tradicional, o empresário de 47 anos foi eleito no domingo (21) para seu primeiro cargo eletivo e, a partir de agosto, presidirá o país com o último conflito armado ativo do hemisfério ocidental.
Suas propostas disruptivas incluem cortar drasticamente o Estado, bombardear guerrilheiros e outros narcotraficantes com apoio de Donald Trump, e revisar a permanência da Colômbia em organismos de cooperação como as Nações Unidas.
De la Espriella venceu por menos de um ponto percentual o senador Iván Cepeda, aliado do primeiro presidente de esquerda do país, Gustavo Petro.
Sua vitória encerra o parêntese aberto pela esquerda há quatro anos em um país que, durante dois séculos, foi governado por elites de direita.
Também fortalece "o bloco que está sendo gerado na América Latina", disse à AFP Juan David Cárdenas, especialista da Universidade de La Sabana. É "uma volta do pêndulo à direita na região, que claramente também é consequência do papel muito forte que Trump teve nos processos políticos locais", acrescentou.
- Plano Colômbia II -
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, volta a ser governada por um aliado dos Estados Unidos em um momento em que Trump intensifica a perseguição às máfias na região.
Com Petro, as relações com Washington ficaram tensas, e a Colômbia foi excluída da aliança anticrime "Escudo das Américas", integrada por países americanos e liderada por Trump.
De la Espriella, cidadão colombiano e americano que se identifica como "republicano", busca incorporar o país a essa aliança e prometeu combater duramente o narcotráfico com bombardeios, erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas e presença de bases militares americanas em território colombiano.
Ele batizou sua iniciativa de "Plano Colômbia II", em referência à cooperação milionária de Washington com Bogotá no início do século, que encurralou as guerrilhas.
"Não haverá zonas proibidas para o Estado, não haverá criminosos impunes e intocáveis. Não haverá organizações acima da Constituição e da lei", advertiu no domingo, em seu primeiro discurso como presidente eleito.
- Megapresídios e armas -
Inspirado nos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e do Equador, Daniel Noboa, De la Espriella quer construir dez megapresídios para prender criminosos "a dez andares abaixo da terra", onde serão alimentados com "pão e água", prometeu.
Esse tipo de prisão de segurança máxima gerou alertas de organizações sobre possíveis violações de direitos humanos.
Os adversários de De la Espriella veem traços autoritários em seu discurso, e especialistas alertam para uma possível escalada da violência decorrente dessa estratégia.
O presidente eleito também propõe flexibilizar o porte de armas para civis.
"As pessoas que demonstrarem aptidão física e psicológica para portar uma arma, na era de El Tigre, terão uma arma", afirmou durante a campanha.
- Dolarização, fracking, menos Estado -
De la Espriella recebe um país com déficit fiscal próximo a 7% do PIB, o segundo maior da região depois do Brasil, após um período de elevado gasto público para financiar programas sociais durante o governo Petro.
Na campanha, afirmou que o "ideal" seria dolarizar a economia colombiana como parte do plano econômico de seu "país milagre".
Também propõe impulsionar o fracking para aumentar a produção energética, reduzir o tamanho do Estado em 40%, inspirado por Javier Milei na Argentina, e baixar impostos para as empresas.
- Adeus às Nações Unidas? -
Em matéria de cooperação, De la Espriella afirma que está disposto a revisar a permanência da Colômbia em entidades como as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Atualmente na presidência pro tempore do Conselho de Segurança da ONU, a Colômbia teve papel em debates sobre paz e segurança na região.
De la Espriella considera que essas organizações são um "diretório político da esquerda" e que "não serviram para nada".
O jurista também sugeriu a possibilidade de retirar a Colômbia da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que considera uma "farsa".
Ele também quer fechar parte das embaixadas da Colômbia no exterior e transformar as que permanecerem abertas em centros de negócios.
L.Dubois--BTB