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EUA ameaça Irã com fogo 'devastador' se atacar navios comerciais
Os Estados Unidos ameaçaram o Irã, nesta terça-feira (5), com um fogo "devastador" se atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, onde a Marinha americana realiza uma operação para garantir a livre navegação.
Washington e Teerã travam uma queda de braço pelo controle desta passagem estratégica, por onde antes da guerra costumava transitar um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.
A República Islâmica controla o estreito desde o início da guerra, iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano.
"Não estamos procurando briga. Mas tampouco podemos permitir que o Irã bloqueie países inocentes e suas mercadorias em uma via navegável internacional", disse o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, durante uma coletiva de imprensa.
"Se atacar tropas americanas ou navios comerciais inocentes, enfrentará um poder de fogo americano esmagador e devastador", afirmou.
O chefe do Estado-Maior conjunto, general Dan Caine, disse, por sua vez, que "nenhum adversário deve confundir" a "contenção atual com uma falta de determinação" porque as forças armadas estão preparadas para retomar as hostilidades se receberem a ordem.
O Irã também elevou o tom, apesar do cessar-fogo decretado em 8 de abril que, segundo os Estados Unidos, segue de pé.
- "Nem sequer começamos" -
"Sabemos perfeitamente que a continuação do status quo é intolerável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem sequer começamos", advertiu Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, em uma postagem no X.
"A segurança do transporte marítimo e do trânsito energético foi ameaçada pelos Estados Unidos", cuja "presença maligna diminuirá", acrescentou Ghalibaf, que também é presidente do Parlamento iraniano.
Washington tenta de todas as formas pressionar Teerã e pede que abandone seu programa nuclear.
Em 8 de abril, impôs um bloqueio aos portos iranianos e, nesta segunda-feira, lançou a chamada operação "Projeto Liberdade" para permitir que os navios bloqueados há semanas possam cruzar o estreito.
Segundo várias empresas especializadas, mais de 900 navios estavam no Golfo no fim de abril, com cerca de 20.000 marinheiros.
Nas últimas horas, o Irã respondeu à operação dos Estados Unidos lançando mísseis e drones contra navios militares americanos na região, que foram interceptados, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
A Coreia do Sul relatou uma "explosão" seguida de um incêndio em um navio do país em Ormuz.
Apesar das negações iranianas, o Centcom anunciou que dois navios mercantes com bandeira dos Estados Unidos, escoltados pelas forças americanas, atravessaram "com sucesso" o Estreito de Ormuz na segunda-feira. "Está indo muito bem", comemorou o presidente Donald Trump.
A empresa dinamarquesa de transporte marítimo Maersk anunciou que um de seus navios, que transportava veículos e estava bloqueado na região desde fevereiro, conseguiu atravessar o estreito na segunda-feira, "acompanhado por meios militares americanos".
As forças militares americanas informaram que destruíram seis embarcações iranianas "que ameaçavam a navegação comercial".
Teerã negou qualquer dano em seus navios e acusou Washington de matar cinco civis em ataques contra duas embarcações que partiram de Omã com destino à costa iraniana.
- Ataques aos Emirados -
Os ataques também acontecem em terra.
Os Emirados Árabes Unidos informaram, nesta terça-feira, que seus sistemas de defesa aérea interceptaram mísseis e drones procedentes do Irã pelo segundo dia consecutivo.
Neste contexto, o barril de Brent, referência internacional do petróleo, permanece em níveis muito elevados, em torno dos 111 dólares, embora abaixo do máximo de 126 dólares alcançado na semana passada.
"A retórica do Irã e dos Estados Unidos sugere que é provável que a violência se intensifique antes que seja possível encontrar uma solução diplomática", informou Kathleen Brooks, diretora de pesquisas para a corretora XTB.
"Não há solução militar para uma crise política", ressaltou o ministro iraniano de Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Vários países condenaram os ataques iranianos. O presidente francês, Emmanuel Macron, os considerou "inaceitáveis" e a Arábia Saudita advertiu para o risco de uma nova "escalada militar" no Golfo.
Até agora, as tentativas de retomada dos diálogos entre o Irã e os Estados Unidos fracassaram, apesar de um primeiro encontro direto entre as partes em Islamabad, no Paquistão, em 11 de abril.
L.Dubois--BTB