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Starmer descarta renunciar após eleições locais britânicas impulsionarem extrema direita
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, declarou nesta sexta-feira (8) que descarta renunciar, apesar dos resultados "duros" nas eleições locais para seu partido, que sofreu uma importante perda de cadeiras, enquanto o partido anti-imigração Reform UK registrou um forte avanço.
Para o partido de Starmer, os resultados foram ainda mais dolorosos com a perda do controle do Parlamento do País de Gales, pela primeira vez desde a descentralização de poderes em 1999, em eleições autônomas vencidas pelo partido nacionalista de esquerda Plaid Cymru.
"Não vou partir e deixar o país afundar no caos. Os resultados são duros, muito duros, e não vou maquiá-los", disse Starmer, depois que seu partido perdeu centenas de vereadores na Inglaterra.
"Isso dói, e deve doer, e eu assumo a responsabilidade", acrescentou.
Os resultados, após a apuração de três quartos dos conselhos locais, às 18h30 locais (15h30 no horário de Brasília), colocam o Reform UK claramente na liderança, com 1.079 cadeiras conquistadas, contra 688 do Partido Trabalhista, que perde 911.
O Partido Trabalhista também perdeu para o Reform UK o controle de Sunderland, no norte da Inglaterra, um de seus históricos redutos operários.
Alguns veículos britânicos apontam que a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner ou o ministro da Saúde, Wes Streeting, poderiam tentar deslocar Starmer após os resultados.
"Os trabalhistas venceram as eleições gerais de 2024 principalmente porque os conservadores eram profundamente impopulares após 14 anos no governo", afirma à AFP Mark Garnett, analista político e ex-professor da Universidade de Leicester.
Para Garnett, as eleições locais "mostram que o Partido Trabalhista levou menos de dois anos para se tornar igualmente impopular, se não ainda mais. Ele vem perdendo apoio para o Reform UK pela direita e para o Partido Verde pela esquerda".
O líder do Reform UK, Nigel Farage, comemorou os resultados, estimando que eles demonstram que seu partido "veio para ficar".
"Estamos assistindo a uma mudança histórica na política britânica", afirmou Farage.
- Avanço do Reform UK -
"Somos competitivos em todas as regiões do país. Somos o partido mais nacional, viemos para ficar", acrescentou o líder do Reform UK.
No total, mais de 5 mil cadeiras locais estavam em disputa nestas eleições na Inglaterra, de um total superior a 16 mil.
Nestas eleições, não houve votação para as prefeituras de cidades como Londres, embora tenha havido disputa nos conselhos municipais de 32 de seus distritos. A eleição para a Prefeitura da capital está prevista para 2028.
Também não foram eleitos os principais dirigentes de cidades como Liverpool ou Newcastle, nem houve votações em Manchester ou Birmingham, mas sim em suas regiões metropolitanas, Greater Manchester e West Midlands, respectivamente.
Os conservadores, liderados por Kemi Badenoch, perderam centenas de vereadores, embora tenham conseguido manter o controle de Westminster, no centro de Londres.
Na capital, os Verdes atraíram eleitores descontentes da esquerda.
Ao celebrar a eleição de Zoe Garbett como prefeita no distrito londrino de Hackney, Zack Polanski, líder dos Verdes, disse que a política bipartidária está "morta e enterrada".
- País de Gales e Escócia -
Para o partido de Starmer, os resultados foram ainda mais dolorosos com a perda do Parlamento galês.
Nas eleições autônomas da Escócia, quando pouco mais da metade das 129 cadeiras do Parlamento havia sido distribuída, os trabalhistas apareciam na quarta posição.
O partido independentista Scottish National Party (SNP), no poder há 19 anos, liderava com 55 cadeiras, embora ainda sem maioria absoluta garantida.
A popularidade de Starmer caiu após uma série de erros, mudanças de posição e polêmicas, o que despertou dentro de seu partido a tentação de substituí-lo em 10 Downing Street.
"Estas eleições foram vistas como um referendo para Starmer. Alguns de seus apoiadores podem se sentir aliviados porque os resultados não foram ainda piores", afirma o analista Garnett.
A imigração também concentra o descontentamento de muitos britânicos, enquanto o número de migrantes clandestinos que chegaram pelo Canal da Mancha desde 2018 se aproxima de 200 mil.
A impopularidade de Starmer aumentou nos últimos meses após nomear Peter Mandelson embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
O.Bulka--BTB