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Trump considera trégua no Oriente Médio em estado crítico e Irã mantém o tom de desafio
O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira (11) que o cessar-fogo no Oriente Médio se encontra em estado crítico, após descartar a contraproposta de paz do Irã, que afirmou estar preparado para responder a qualquer agressão.
A crescente tensão provoca o temor de uma retomada das hostilidades no Golfo, frustra as esperanças de um acordo negociado rápido para a reabertura do Estreito de Ormuz ao transporte comercial e eleva os preços do petróleo.
O Irã anunciou, na segunda-feira, que exigiu o fim da guerra na região, a suspensão do bloqueio americano aos seus portos e a liberação de seus ativos congelados na contraproposta apresentada a Trump, que a rejeitou categoricamente.
O presidente americano reagiu furioso à resposta de Teerã, declarando, em uma mensagem nas redes sociais, que a contraproposta é "TOTALMENTE INACEITÁVEL".
Posteriormente, o mandatário advertiu à imprensa na Casa Branca que o cessar-fogo no Irã está "incrivelmente enfraquecido [...] como quando o médico entra e diz: 'Senhor, seu ente querido tem exatamente 1% de chance de sobreviver'".
Por outro lado, em entrevista por telefone a um jornalista da emissora Fox News, Trump disse estar avaliando reiniciar sua operação para escoltar navios no Estreito de Ormuz.
A iniciativa tinha sido suspensa em 5 de maio, um dia depois de ter sido implantada, devido aos "grandes avanços obtidos" rumo a um acordo.
Após as declarações de Trump, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou, nesta segunda-feira, que as forças armadas da República Islâmica estão prontas para dar "uma lição perante qualquer agressão".
"Nossas forças armadas estão prontas para responder e infligir uma lição a qualquer agressão", afirmou no X.
O Wall Street Journal revelou na segunda-feira que os Emirados Árabes Unidos efetuaram por conta própria operações militares contra o Irã em abril, direcionadas contra instalações de petróleo na ilha de Lavan, território iraniano no Golfo.
O envolvimento direto, ainda não confirmado por Abu Dhabi, pode marcar um ponto de inflexão na escalada regional: até o momento, nenhum país árabe do Golfo havia se apresentado abertamente como parte beligerante. Apenas os Estados Unidos e Israel reivindicam oficialmente participação nos ataques contra Teerã.
- A guerra 'não terminou' -
Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, Teerã pediu o fim do bloqueio naval americano e da guerra "em toda a região", o que implica um cessar dos ataques israelenses contra o grupo pró-iraniano Hezbollah no Líbano.
Durante uma coletiva de imprensa, seu porta-voz, Esmaeil Baghaei, informou que as exigências do Irã incluem, ainda, a "libertação dos ativos pertencentes ao povo iraniano, que durante anos estiveram bloqueados injustamente em bancos estrangeiros".
Segundo o Wall Street Journal, que cita fontes próximas ao tema, a contraproposta de Teerã prevê uma reabertura gradual de Ormuz e a suspensão simultânea do bloqueio americano.
O jornal americano informou que o Irã menciona negociações sobre a questão nuclear em um prazo de 30 dias. Teerã propôs "diluir" parte de seu urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um "terceiro país", mas rejeitou o desmantelamento de suas instalações e uma moratória de 20 anos sobre o processo de enriquecimento de urânio.
Estados Unidos, Israel e seus aliados acusam o Irã de almejar a fabricação de uma bomba atômica, o que Teerã nega.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, insistiu, no domingo, que a guerra não terminará até que as instalações nucleares do Irã sejam destruídas.
O bloqueio de Ormuz, estratégico para o comércio mundial de combustíveis, provocou o aumento da cotação do petróleo.
Na segunda-feira, o barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, subiu 2,88%, a 104,21 dólares.
- 'O maior' choque energético -
Antes da visita, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou na segunda-feira 12 pessoas e entidades vinculadas com Teerã, as quais acusa de "facilitar" a venda de petróleo iraniano à China.
Três pessoas radicadas no Irã e nove empresas - com sede em Hong Kong e Emirados Árabes Unidos - aparecem sujeitas às novas medidas punitivas.
A ausência de acordo aumenta a preocupação sobre o Estreito de Ormuz, onde o Irã restringe o tráfego marítimo e estabeleceu um mecanismo para cobrar pedágios dos navios que atravessam a via.
A Casa Branca considera inaceitável que Teerã controle a rota de exportação de 20% do petróleo mundial, e a Marinha dos Estados Unidos também bloqueia os portos iranianos nas duas direções.
O presidente-executivo da gigante petrolífera saudita Aramco, Amin Nasser, declarou nesta segunda-feira que a guerra no Oriente Médio provocou o maior choque energético que o mundo já viveu.
"Mesmo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto hoje, levaria meses para o mercado se reequilibrar, e se a sua reabertura fosse adiada por mais algumas semanas, o retorno à normalidade se estenderia até 2027", afirmou Nasser durante um telefonema com investidores.
Além disso, se a passagem de fertilizantes pelo estreito não for permitida "em algumas semanas", dezenas de milhões de pessoas poderiam enfrentar fome e inanição, disse à AFP Jorge Moreira da Silva, diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e líder do grupo de trabalho dedicado a evitar uma crise humanitária iminente.
burs-san/anb/erl/pb/fp/aa/yr/mvv/rpr
I.Meyer--BTB