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Mundo utiliza reservas de petróleo em ritmo recorde, alerta AIE
O mundo está recorrendo às reservas de petróleo em um "ritmo recorde", no momento em que a guerra no Oriente Médio afeta consideravelmente o fornecimento procedente do Golfo, alertou nesta quarta-feira (13) a Agência Internacional de Energia (AIE).
As reservas globais registraram queda de 117 milhões de barris em abril, informou a agência com sede em Paris em seu relatório mensal.
Em março, as reservas registraram queda de 129 milhões de barris, após o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro.
"A rápida diminuição das reservas, em um contexto perturbações persistentes, pode prenunciar futuras disparadas dos preços do petróleo", acrescentou a AIE, que defende os interesses dos países consumidores.
A oferta mundial de petróleo diminuiu 1,8 milhão de barris diários em abril, a 95,1 mbd. A perda total de fornecimento na comparação com o mês de fevereiro é de 12,8 mbd.
O bloqueio na região é duplo atualmente: o Irã fechou na prática o Estreito de Ormuz, por onde transitam o petróleo e o gás natural liquefeito do Golfo, em represália pela ofensiva israelense-americana, enquanto as forças dos Estados Unidos aplicam, desde meados de abril, um bloqueio naval aos portos iranianos para impedir a exportação de petróleo da república islâmica.
O conflito provocou o aumento dos preços e obrigou vários países a recorrer às suas reservas. Algumas nações, em particular na Ásia, muito dependentes do petróleo do Golfo, adotaram medidas drásticas de economia.
A AIE anunciou em março que desbloquearia 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus 32 países-membros. Do total, quase 164 milhões de barris já foram liberados.
"O ritmo de liberação das reservas de emergência acelerou em abril. Nos próximos meses, esperamos que volumes maiores cheguem ao mercado", afirmou a agência.
A inquietação aumenta com a aproximação do verão no hemisfério norte (inverno no Brasil). Várias companhias aéreas afirmaram que podem enfrentar falta de combustível em questão de semanas se a crise persistir.
O aumento dos preços também afeta as perspectivas de demanda.
A AIE prevê agora que a demanda global terá uma redução de 2,4 milhões de barris diários (mbd) no segundo trimestre.
Se o fornecimento de petróleo for retomado progressivamente pelo Estreito de Ormuz em junho, a oferta mundial de petróleo diminuirá, em média, 3,9 mbd em 2026 e ficará em 102,25 mbd, segundo a AIE.
M.Ouellet--BTB