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Xi adverte Trump que questão de Taiwan pode resultar em 'conflito'
O presidente chinês, Xi Jinping, advertiu seu homólogo americano, Donald Trump, nesta quinta-feira (14), que uma gestão inadequada da questão de Taiwan poderia empurrar os dois países na direção de um "conflito", em uma declaração contundente no início da reunião de cúpula entre os dois em Pequim.
Xi recebeu Trump com um aperto de mão diante do Grande Salão do Povo, na Praça Tiananmen (Paz Celestial), o centro nervoso do poder comunista na capital, decorado com tapete vermelho e com as cores da China e dos Estados Unidos.
Trump começou o encontro com elogios ao anfitrião, que chamou de "grande líder" e "amigo", antes de declarar que os dois países terão "um futuro fantástico juntos".
Contudo, para além da pompa inicial, Xi adotou um tom menos efusivo e afirmou que os países "deveriam ser parceiros, não rivais", ao destacar desde o primeiro momento a situação de Taiwan, uma ilha autônoma e de regime democrático que Pequim reivindica como parte de seu território.
"A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre China e Estados Unidos", disse Xi, segundo declarações divulgadas pela imprensa estatal chinesa.
"Se for mal administrada, as duas nações podem ter um choque ou, inclusive, entrar em conflito, o que empurraria toda a relação entre China e Estados Unidos para uma situação muito perigosa", acrescentou durante a reunião, que durou aproximadamente duas horas e 15 minutos.
A viagem de Trump a Pequim é a primeira de um presidente americano ao país asiático em quase uma década. A grande recepção contrasta com uma série de tensões comerciais e geopolíticas ainda sem solução entre as duas maiores economias do mundo.
Em um banquete durante a noite em sua homenagem, o presidente americano comemorou as conversas "extremamente positivas e produtivas" com seu homólogo, a quem convidou para visitar a Casa Branca em 24 de setembro.
Xi, menos efusivo, insistiu novamente durante o jantar em sua mensagem de cooperação entre as duas potências e assegurou que o progresso da China é compatível com o grande lema de Trump: "Make America Great Again" (Tornar os EUA grandes novamente).
A relação bilateral enfrentou momentos difíceis desde a visita anterior de Trump em 2017: os dois países passaram grande parte de 2025 envolvidos em uma guerra comercial com a ofensiva tarifária americana e em desacordo sobre muitos temas globais.
A questão de Taiwan é um dos assuntos mais delicados entre os dois países ao longo dos anos. Embora o governo dos Estados Unidos reconheça apenas a China, o país tem uma lei que obriga Washington a fornecer armas de defesa para Taiwan.
A China prometeu assumir o controle de Taiwan e não descarta a possibilidade de recorrer à força para alcançar o objetivo, em um contexto de crescente pressão militar sobre a ilha nos últimos anos.
Após os comentários de Xi nesta quinta-feira, Taipé classificou Pequim como o "único risco" para a paz regional e insistiu que "a parte americana tem reafirmado repetidamente seu apoio claro e firme" ao território.
Na segunda-feira, Trump tinha dito que falaria com Xi sobre as vendas de armas americanas a Taiwan, uma reviravolta em relação à política anterior de Washington, que insiste em não consultar a China sobre esse assunto.
A Casa Branca qualificou como "boas" as conversas iniciais nesta quinta-feira, embora não tenha mencionado Taiwan no comunicado.
- Irã ofusca a visita -
A guerra no Irã, que obrigou Trump a adiar sua viagem à China, inicialmente programada para março, é outro tema delicado.
Antes do encontro, o presidente americano afirmou que esperava manter uma "longa conversa" sobre o Irã, que vende a maior parte de seu petróleo para a China, apesar da ameaça de sanções de Washington.
"Disse que não vai entregar equipamento militar (...), o disse com muita firmeza", declarou Trump à Fox News, acrescentando que Xi "gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto, e disse: 'Se puder ajudar no que for, gostaria de fazê-lo'".
A chancelaria chinesa destacou antes que a situação no Oriente Médio tinha sido abordada, mas não deu mais detalhes.
O bloqueio do Estreito de Ormuz tem um impacto direto sobre a China. Grande parte de suas importações de petróleo passa por essa rota.
A agência iraniana Tasmin anunciou, nesta quinta-feira, que as forças de seu país haviam autorizado, na véspera, a passagem de "vários navios" chineses.
Os dois presidentes também abordaram a cooperação econômica. Trump espera fechar acordos comerciais em agricultura, aviação e outros setores.
Em sua entrevista com a Fox News, o presidente americano anunciou que a China vai encomendar 200 aviões à Boeing.
Executivos de grandes empresas integraram a delegação americana, entre eles Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla.
Xi prometeu que "a China abrirá cada vez mais suas portas para o mundo exterior" e que as empresas americanas seriam beneficiadas por "perspectivas ainda mais promissoras".
S.Keller--BTB