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Intenso bombardeio russo em Kiev deixa ao menos 21 mortos e diminui esperanças de paz
Os intensos ataques russos de quinta-feira (14) contra Kiev, com centenas de drones e dezenas de mísseis, deixaram pelo menos 21 mortos, entre eles três crianças, informaram nesta sexta-feira as equipes de resgate, o que reduz ainda mais as esperanças de que o conflito seja interrompido.
A força aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 675 drones de ataque e 56 mísseis, principalmente contra a capital, Kiev, e acrescentou que suas unidades de defesa aérea derrubaram 652 drones e 41 mísseis.
Jornalistas da AFP na capital ouviram as sirenes antiaéreas antes de várias ondas de fortes explosões obrigarem os moradores a se refugiar em estações de metrô.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que mais de 20 locais da capital foram danificados, incluindo prédios residenciais, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis.
"Os trabalhos continuam em Kiev no local do impacto sobre o edifício, um ataque com míssil russo que literalmente arrasou um bloco de apartamentos, do primeiro ao nono andar", disse Zelensky.
Vinte e uma pessoas, entre elas três crianças, morreram em consequência dos ataques, informou o serviço de emergências da Ucrânia na madrugada desta sexta, ao atualizar um balanço anterior de 16 mortos.
"As equipes de resgate continuam sem descanso vasculhando os escombros em busca de pessoas no prédio [que desabou] no bairro de Darnitskii", detalhou o órgão no Telegram.
Na quinta-feira, jornalistas da AFP haviam presenciado cenas caóticas enquanto as equipes de resgate removiam os escombros, socorrendo feridos e recuperando os corpos de mortos.
"Tudo estava em chamas. As pessoas gritavam e pediam ajuda", relatou Andrii, morador de Kiev ainda de roupão e com manchas de sangue na camisa, perto de um prédio residencial da era soviética que desabou.
Vários corpos foram retirados dos escombros de um único prédio residencial destruído: três homens, três mulheres e uma menina, informou a polícia. As autoridades relataram 45 feridos.
"Estas não são, certamente, as ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim. É importante que os aliados não permaneçam em silêncio diante deste ataque", disse Zelensky.
Vários aliados da Ucrânia condenaram o ataque. "A Rússia zomba abertamente” dos esforços diplomáticos pela paz, denunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
- Novo revés para esforços de paz -
Os ataques russos também deixaram feridos nas regiões de Odessa e Kherson, no sul, assim como em Kharkiv, no nordeste.
A ofensiva russa representa mais um revés para as tentativas de pôr fim ao conflito, depois que o presidente americano, Donald Trump, renovou as esperanças de paz ao intermediar um cessar-fogo de três dias entre os dois países na semana passada.
Esse cessar-fogo, que começou coincidindo com as comemorações em Moscou da vitória soviética sobre a Alemanha nazista em 1945, foi marcado por acusações de violações de ambos os lados.
Tanto a Ucrânia quanto a Rússia lançaram ataques com drones de longo alcance imediatamente após o término do cessar-fogo.
O presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu no último fim de semana que a guerra poderia estar perto do fim.
O Kremlin minimiza a ideia de que os comentários vagos de Putin no sábado sobre um possível fim da guerra signifiquem uma mudança na posição de Moscou.
Na quarta-feira, a Rússia reiterou sua exigência de que a Ucrânia se retire completamente da região leste do Donbass antes que um cessar-fogo e negociações de paz em larga escala possam ocorrer. Kiev rejeita a exigência, considerando-a equivalente a uma rendição.
Um alto funcionário da Presidência ucraniana disse à AFP que a escala dos ataques desta quinta-feira foi tão grande porque houve uma trégua prévia e relacionou o momento da ofensiva ao encontro entre os presidentes dos EUA e da China em Pequim.
burs-jbr/jc/mab/dbh/aa/fp/mvv/am/ic
H.Seidel--BTB