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Premier do Canadá compara consulta separatista de provincia ao Brexit
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, considerou nesta segunda-feira (25) "muito perigoso" um referendo que poderia abrir caminho para a independência de Alberta, uma das províncias petroleiras mais ricas do país. Os eleitores devem se pronunciar em outubro.
Defensor da união canadense, Carney comparou a consulta ao Brexit, que culminou em 2016 com a saída do Reino Unido da União Europeia: "Mesmo dez anos depois, [os britânicos] seguem tentando desfazer aquilo pelo qual não acreditavam ter votado."
A conservadora Danielle Smith, primeira-ministra de Alberta, anunciou no último dia 21 a realização de um referendo que poderia abrir caminho para "um processo legal" para a independência da província, que produziu em 2024 mais de 80% do petróleo bruto canadense.
Uma petição com 300 mil assinaturas de moradores de Alberta favoráveis à realização da consulta foi apresentada neste mês. Ela foi invalidada pela Justiça, mas Danielle considera que isso não a impede de organizar o referendo no fim do ano, uma vez que, mesmo que aprovado, ele não seria mais do que uma primeira etapa rumo à independência.
Pesquisas mostram que aproximadamente 30% dos 5 milhões de habitantes de Alberta apoiam a independência, um número recorde. Os apoiadores denunciam a influência excessiva de Ottawa sobre seus recursos energéticos e o bloqueio de investimentos devido a questões ambientais.
A província de Quebec, uma das maiores do país, vai realizar em outubro eleições locais, que poderiam levar ao poder o separatista Partido Quebequense, que lidera as pesquisas. Também propõem a realização de uma consulta separatista.
"Os canadenses podem refletir sobre os resultados dos referendos anteriores em Quebec", advertiu Carney, referindo-se às consultas de independência da província francófona de 1980 e 1995, ambas perdidas pelos defensores da separação.
"Os canadenses se preocupam uns com os outros. Isto é especialmente importante neste momento", ressaltou o primeiro-ministro, em um contexto de tensão com os Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump ao poder.
E.Schubert--BTB