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Rubio diz que EUA segue disposto a atuar como mediador na Ucrânia apesar das ameaças da Rússia
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (26) que Washington segue disposto a atuar como mediador na guerra entre Rússia e Ucrânia, depois que Moscou ameaçou Kiev com novos ataques.
O alerta da Rússia, que incluiu um apelo para que os diplomatas estrangeiros abandonem a capital ucraniana, representa uma nova escalada na guerra, que já dura mais de quatro anos. Moscou prometeu ataques "sistemáticos" contra Kiev, em particular contra os "centros de tomada de decisão".
A oferta renovada de Rubio acontece após ataques intensos da Rússia contra a Ucrânia durante o fim de semana, incluindo o lançamento do míssil hipersônico Oreshnik, e após uma conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.
"Toda vez que você vê esses grandes ataques por parte de um lado ou do outro, é um lembrete do porquê essa é uma guerra terrível, que já dura mais do que a Segunda Guerra Mundial, e isso precisa terminar", disse Rubio aos jornalistas durante uma visita oficial à India.
"Os Estados Unidos estão prontos e preparados para fazer tudo o que pudermos para ajudar a facilitar o fim dessa guerra, e esperamos que a oportunidade se apresente em algum momento", acrescentou.
Na linha de frente, um ataque russo durante a noite matou um homem de 45 anos em Odessa, informou o governo regional na plataforma de mensagens Telegram.
- "Abandonem a cidade" -
O bombardeio russo do fim de semana, durante o qual foram lançados dezenas de drones e mísseis, matou quatro pessoas e provocou danos consideráveis em toda a capital ucraniana.
Entre as armas utilizadas pela Rússia estava o projétil Oreshnik, que pode viajar a uma velocidade 10 vezes superior à do som e tem capacidade de transportar ogivas nucleares, segundo Moscou.
Os ataques ocorreram após acusações russas de que a Ucrânia havia bombardeado uma escola de formação profissional na região de Lugansk, ocupada pela Rússia, com um balanço de 21 mortos.
O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou às Forças Armadas uma ação de represália.
"Nas atuais circunstâncias, as Forças Armadas russas estão começando a lançar ataques sistemáticos contra instalações militares e industriais ucranianas em Kiev", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado.
"Os ataques terão como alvo tanto os centros de tomada de decisões como os postos de comando (...). Advertimos os cidadãos estrangeiros, incluindo os funcionários das missões diplomáticas e das organizações internacionais, que abandonem a cidade o mais rápido possível", acrescentou a nota.
Lavrov transmitiu a advertência a Rubio durante uma conversa telefônica na segunda-feira, na qual o instou a retirar os diplomatas americanos de Kiev, informou seu gabinete.
Ao ser questionado a respeito, Rubio respondeu aos jornalistas que a Rússia enviou "um aviso a todas as embaixadas", não apenas à representação dos Estados Unidos.
- "Chantagem russa" -
A Rússia já havia solicitado aos cidadãos estrangeiros e aos diplomatas que abandonassem Kiev no início do mês, quando ameaçou lançar ataques em larga escala contra o centro da capital caso a Ucrânia interrompesse um desfile militar na Praça Vermelha de Moscou.
As missões diplomáticas ocidentais na cidade rejeitaram as duas advertências.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França disse na segunda-feira: "Estamos acostumados às ameaças de Putin. Sair está fora de discussão".
O embaixador da União Europeia em Kiev escreveu no Facebook: "Nós não vamos a lugar nenhum".
A Ucrânia qualificou as ameaças da Rússia como "retórica".
"Agora estamos dizendo aos nossos aliados que não devem ceder a toda essa chantagem russa", disse o ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiga.
A Rússia iniciou a ofensiva em larga escala contra a Ucrânia em fevereiro de 2022. Desde então, o conflito se tornou o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
As negociações lideradas pelos Estados Unidos para acabar com os combates estagnaram nos últimos meses devido ao conflito no Oriente Médio.
Y.Bouchard--BTB