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RDCongo enfrenta 'choque catastrófico' entre ebola e conflito, alerta OMS
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nesta quarta-feira (27), que o conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) dificulta consideravelmente os esforços para conter o surto de ebola e pediu um "cessar-fogo imediato".
"O leste da RDC enfrenta atualmente um choque catastrófico entre doença e conflito, com o surto de ebola na província de Ituri ultrapassando a capacidade de resposta de saúde", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus na rede social X.
"Pedimos a todas as partes beligerantes que concordem com um cessar-fogo imediato para conter esta epidemia e permitir um acesso seguro e sustentável às equipes médicas", acrescentou o diretor-geral da OMS, que pretende desembarcar em Kinshasa na noite de quinta-feira.
A RDC, cujas províncias da região leste afetadas pela doença são de difícil acesso por estrada e enfrentam a violência de grupos armados, declarou em 15 de maio um surto de ebola provocado pela cepa Bundibugyo.
Não existe vacina, nem tratamento específico contra este vírus, que provoca a doença do ebola com uma taxa de mortalidade de até 50%. A OMS ativou um alerta de saúde internacional.
Até o 12º dia do surto, mais de 900 casos prováveis e 220 mortes suspeitas foram registradas, segundo os balanços oficiais. As autoridades de saúde internacionais acreditam em uma subnotificação dos números da doença.
O vírus já se propagou por pelo menos três províncias da RDC e também foi registrado em Uganda, onde sete casos foram confirmados por exames, incluindo uma morte.
Tedros viajará na sexta-feira para Bunia, capital da província de Ituri, no nordeste do país e epicentro do surto.
"Interromper a transmissão do ebola depende completamente do acesso humanitário. Mas os combates em curso estão provocando deslocamentos em massa da população, empurrando contatos expostos para campos superlotados e cortando corredores críticos de contenção", explicou.
Ele ressaltou que os trabalhadores da linha de frente "arriscam suas vidas", enquanto os ataques contra centros de saúde tornam "praticamente impossível" o acompanhamento dos casos e de seus contatos.
"Nós apelamos por uma prioridade para a sobrevivência humana acima de qualquer outra coisa", pediu.
O diretor da OMS também enfatizou que "é impossível restabelecer a confiança dentro das comunidades ou isolar os pacientes sob o fogo das bombas".
Este é o 17º surto de ebola na RDC, um dos países mais pobres do mundo. A doença provoca uma febre hemorrágica extremamente contagiosa.
C.Kovalenko--BTB