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Ataque da Ucrânia mata três pessoas na Crimeia
Um ataque aéreo da Ucrânia matou três pessoas na Crimeia, anunciaram nesta quinta-feira (4) autoridades dessa península anexada pela Rússia, um dia após um ataque com drones contra instalações militares e de energia em São Petersburgo, onde acontece o principal fórum econômico russo.
"Segundo as informações iniciais, três pessoas morreram e outras sete ficaram feridas em um bombardeio inimigo contra prédios não residenciais em Simferopol", publicou no aplicativo Telegram o chefe das autoridades da Crimeia, Sergey Aksyonov.
As negociações para encerrar o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial permanecem estagnadas, e ambos os lados mantêm ataques regulares.
Em Washington, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a Ucrânia "se tornou mais eficiente na realização de ataques de longo alcance dentro da Rússia". "Nenhuma das partes está disposta a fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, em particular do lado russo", declarou, reiterando que Washington está "pronta" para colaborar para o fim do conflito.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, descreveu os ataques em São Petersburgo como "justos", um dia após a morte de 23 pessoas na Ucrânia em uma onda de mísseis e drones russos.
Cerca de 20 mil pessoas de 130 países devem participar do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, encontro de três dias iniciado nesta quarta-feira.
O presidente russo, Vladimir Putin, fará o discurso principal do fórum na próxima sexta-feira, e o Kremlin prometeu "respostas sistemáticas" ao ataque contra a cidade.
O ataque da Ucrânia danificou infraestruturas, sem deixar vítimas, declarou o governador de São Petersburgo, Aleksandr Beglov. Por outro lado, sete pessoas morreram em um ataque ucraniano com drones contra um ônibus que fazia o trajeto entre Moscou e a Crimeia, segundo as autoridades instaladas pela Rússia.
Também morreram um operário em um ataque ucraniano na região de Briansk, na fronteira com a Ucrânia, e outro civil na parte ocupada da região de Kharkiv, no nordeste ucraniano, segundo autoridades locais.
Do lado ucraniano, bombardeios russos causaram pelo menos uma dezena de mortes em várias regiões, de acordo com as autoridades locais.
- Terminal petrolífero e base militar -
A Ucrânia afirmou ter atingido o Terminal Petrolífero de São Petersburgo e a base militar próxima de Kronstadt.
Durante uma coletiva de imprensa em Kiev, Zelensky afirmou que a Ucrânia respondia ao ataque maciço russo do dia anterior. "Eles devem saber que, se usarem drones e mísseis contra nós, faremos o mesmo", enfatizou.
Em visita a Kiev, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, destacou que, "enquanto a Ucrânia continua resistindo, inovando e conquistando vitórias no campo de batalha, a Rússia está cada vez mais desesperada".
Os ataques afetaram o funcionamento do principal aeroporto de São Petersburgo, antiga capital imperial russa.
Um jornalista da AFP observou fumaça à distância a partir do local do fórum, enquanto os delegados chegavam às primeiras sessões.
Valéria, uma empresária de 32 anos que viajou de Moscou para participar do evento, declarou à AFP que não teme a possibilidade de novos ataques ucranianos. "Há anos convivemos com esse tipo de ataque", explicou.
- 'Davos' russo -
Desde que a Rússia lançou sua ofensiva em grande escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, o Fórum de São Petersburgo, anteriormente conhecido como o "Davos russo", tornou-se um reflexo da rejeição das potências ocidentais a Moscou.
Neste ano, a lista de participantes inclui dirigentes de países aliados da Rússia, como os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, além de ministros de países como Cuba, Belarus, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que na terça-feira condenou a onda de ataques russos mortais contra a Ucrânia, participará de um painel sobre meio ambiente previsto para sexta-feira.
Os Estados Unidos serão representados por Rodney Mims Cook Jr., presidente da Comissão de Belas-Artes que supervisiona o novo salão de baile da Casa Branca de Donald Trump. Também foram convidados a comentarista ultraconservadora Candace Owens, o ator americano Steven Seagal e representantes da Alternative für Deutschland (AfD), partido alemão de extrema direita.
F.Pavlenko--BTB