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Irã ameaça EUA e Israel quando guerra no Oriente Médio completa 100 dias
O Irã ameaçou com represálias contra os interesses americanos e israelenses no Oriente Médio, neste domingo (7), após os ataques de Israel em Beirute, afastando ainda mais a possibilidade de se chegar a um acordo para pôr fim à guerra que eclodiu há 100 dias.
O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques israelenses e americanos contra o Irã, atingiu vários países do Oriente Médio e abalou a economia mundial.
Neste domingo, o tom voltou a se endurecer após os ataques israelenses contra os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do movimento libanês pró‑Irã Hezbollah.
"O bloqueio naval imposto ao Irã e a luz verde dada hoje pelos Estados Unidos ao regime sionista transformam as bases e os ativos americanos e do regime (israelense) na região em alvos legítimos", declarou no X o negociador-chefe do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
"Nossas forças armadas, como sempre, têm liberdade para agir", acrescentou.
Embora as negociações de paz pareçam estagnadas, o Paquistão, que atua como mediador, prossegue com seus esforços.
Segundo a televisão estatal, o ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, visitou novamente Teerã e entregou uma “carta especial” dirigida ao líder supremo Mojtaba Khamenei, que contém “uma mensagem muito importante”, afirmou, sem revelar seu conteúdo.
Por sua vez, o porta‑voz da chancelaria iraniana, Ismael Baqai, qualificou o processo de negociações de “trabalhoso” e criticou duramente, em entrevista à CNN, as “mudanças de postura” e os “comentários contraditórios” do governo americano.
Em Teerã, a incerteza e o impasse econômico pesam sobre os habitantes.
"Tenho a sensação de que esta situação vai se prolongar por um tempo: uma espécie de estado de suspensão, no qual uns lançam mísseis, outros enviam drones, e duvido que tudo isto resulte em uma estabilidade real", disse à AFP Farhad, um chef de 35 anos, na capital iraniana.
A vida ficou "cada vez mais difícil", acrescentou. "Coisas que há apenas alguns meses poderíamos pensar em comprar agora são sonhos ou contos de fadas".
- Hostilidades no Líbano -
Desde o cessar‑fogo de 8 de abril, as hostilidades haviam praticamente cessado. No entanto, ressurgiram recentemente, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para os hidrocarbonetos, controlada por Teerã.
Neste domingo, o exército americano anunciou ter derrubado dois drones iranianos que ameaçavam o tráfego marítimo internacional no estreito e afirmou que suas forças se mantinham "em alerta".
Paralelamente, as hostilidades continuam no outro front do conflito, o Líbano, de onde foram disparados projéteis contra Israel neste domingo, apesar de um cessar-fogo teoricamente em vigor.
O conflito começou em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel para vingar a morte do anterior líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Neste domingo, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que o exército atacou centros de comando do grupo xiita nos subúrbios do sul de Beirute, "em resposta aos disparos do Hezbollah contra o território israelense".
“O ataque aéreo do inimigo israelense contra a área de Mreijeh, nos subúrbios do sul de Beirute, resultou em dois mártires e 20 feridos, entre eles 4 crianças e 4 mulheres”, afirmou o Ministério da Saúde libanês.
Desde o início da guerra, em março, os ataques contra o Líbano deixaram ao menos 3.613 mortos, segundo o último balanço das autoridades.
Do lado israelense, morreram no Líbano 29 soldados e um funcionário terceirizado civil, segundo o exército.
O Irã exige que qualquer acordo com os Estados Unidos inclua o fim das hostilidades em território libanês, enquanto os Estados Unidos prefeririam tratar os dois temas em separado.
Nesse contexto, o presidente americano Donald Trump pediu a seu aliado israelense que os ataques contra o Hezbollah fossem mais “cirúrgicos”.
- Ativos congelados -
As posições de Teerã e Washington seguem muito distantes em temas como o conflito no Líbano, os ativos iranianos congelados no exterior, a energia nuclear e o controle do Estreito de Ormuz.
Mohsen Rezaei, assessor militar do aiatolá Khamenei, declarou à CNN na sexta-feira que “as negociações estão em um impasse” e condicionou qualquer avanço ao desbloqueio de 24 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior.
No entanto, Washington poderia tentar utilizar esses fundos para cobrir os danos causados pelos ataques iranianos contra aliados no Golfo, segundo uma fonte próxima ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Por sua vez, o Irã, que participa da Copa do Mundo de futebol, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, denunciou um "tratamento discriminatório" contra sua delegação, pois vários membros da equipe técnica não conseguiram obter vistos para entrar no território americano.
burx-anb/mdh/pc/erl/mvv/ic
S.Keller--BTB