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'Guerra ou paz?': iranianos exaustos diante da possível retomada do conflito
Os moradores de Teerã acordaram, nesta segunda-feira (8), ansiosos e exaustos diante da perspectiva de uma retomada da guerra em grande escala, após os ataques de represália entre Irã e Israel, que, até o momento, representaram a maior ameaça ao frágil cessar-fogo.
"Não sabemos se haverá uma guerra, nem se um acordo de paz vai durar", disse Maryam, uma contadora de 41 anos que falou com a AFP na praça central Valiasr, na capital iraniana.
Ela descreveu uma "sensação de incerteza e confusão" generalizada após os ataques israelenses contra Teerã no domingo (7), que ocorreram em resposta aos bombardeios iranianos contra Israel.
"Nada está claro. As pessoas não sabem o que fazer, estão irritadas. Em última instância, é preciso decidir: estamos em guerra ou em paz?", disse, pouco antes do Irã anunciar que encerraria seus ataques contra Israel.
Desde a noite de domingo, o Irã lançou cerca de 30 mísseis contra Israel, segundo um responsável militar israelense, em reposta aos ataques israelenses contra os subúrbios do sul de Beirute.
Israel, por sua vez, afirmou ter atacado e destruído sistemas de defesa iranianos.
Trata-se da escalada mais grave desde 8 de abril, quando um cessar-fogo na guerra do Oriente Médio entrou em vigor, após esforços intermitentes para pôr fim aos combates de maneira duradoura.
No terreno, percebia-se uma marcada sensação de frustração enquanto os iranianos lidavam com a possibilidade de que os confrontos fossem retomados.
"Hoje houve muitos barulhos em Teerã, sobretudo no sul. Meu corpo ficou tremendo durante uma hora", contou Mahtab, uma cabeleireira de 62 anos, a um jornalista da AFP em Paris.
"Se as coisas continuarem assim, nós iremos embora de Teerã outra vez", lamentou.
- "Não tenho esperança" -
Mahsa, uma engenheira química de 31 anos de Isfahan, disse a um jornalista da AFP em Paris: "Mudei por completo nestes 100 dias. Do meu antigo eu, só conservei o nome".
"Não tenho mais esperança em nada: nem na política, nem na economia, nem sequer na ajuda internacional", afirmou.
Em Teerã, uma artista de 36 anos chamada Maryam disse que era "incapaz de dormir" após os ataques de domingo à noite.
"Tudo está caminhando para a destruição e a ruína", lamentou. "Rezo para que Deus venha em nosso socorro".
O trânsito, normalmente movimentado, estava mais calmo na manhã desta segunda-feira, enquanto alguns se refugiavam em suas casas.
A vida na capital parece oscilar entre o medo e a normalidade: os terraços dos cafés estavam cheios de sol, enquanto, em outros lugares, motos faziam filas nos postos de gasolina para abastecer, diante do temor de uma possível escassez.
Ainda assim, os iranianos pareciam unicamente exaustos pelos combates.
"A economia está paralisada, a sociedade sofre de estresse pós-traumático, a moral está no chão", disse Farhad, um chef de 35 anos. "Ninguém sabe o que o amanhã nos reserva".
Amir, um técnico de informática de 24 anos, afirmou que "no início tínhamos medo da guerra, mas nós, iranianos, somos conhecidos por nossa flexibilidade, e nos adaptamos".
"Será igual na próxima guerra, porque não podemos fazer nada a respeito", acrescentou.
C.Kovalenko--BTB