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Estudo alerta para 'corrida armamentista nuclear' após recorde de gastos em 2025
Os gastos globais com armas nucleares atingiram um recorde de quase US$ 119 bilhões (R$ 615 bilhões) em 2025, segundo um estudo que alerta para "uma nova corrida armamentista nuclear" que pode "durar décadas".
Os nove países com esse tipo de armamento aumentaram seus gastos com os arsenais em quase US$ 17 bilhões (R$ 88 bilhões), aponta um relatório da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican).
Em um momento de tensão geopolítica crescente, "uma nova corrida armamentista nuclear se aproxima, cujos próprios responsáveis se preparam para que dure décadas", adverte o documento.
Susi Snyder, diretora de programas da Ican e coautora do relatório, alertou que essa escalada, somada aos medo de que a inteligência artificial possa aumentar o risco do uso de armas nucleares, é profundamente alarmante. "Estou apavorada", disse à AFP.
Em um estudo sobre o mesmo tema divulgado nesta segunda-feira (8), o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) alerta que "o nível de perigos e riscos nucleares está aumentando". Segundo a pesquisa, o número total de ogivas nucleares no mundo se manteve em queda nas últimas décadas, atingindo 12.187, mas o número de munições disponíveis para uso subiu para 9.745.
- 'Desconexão da realidade' -
O estudo revela que todos os Estados com armas nucleares - Reino Unido, China, França, Índia, Israel, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia e Estados Unidos - aumentaram seus gastos nucleares no ano passado.
Os Estados Unidos gastaram mais do que todos os países juntos, com um investimento de US$ 69,2 bilhões (R$ 358 bilhões) em 2025, segundo o relatório. Em seguida, vieram China (US$ 13,5 bilhões) (R$ 70 bilhões), Reino Unido (US$ 12,6 bilhões) (R$ 65,14 bilhões) e Rússia (US$ 9,5 bilhões) (R$ 49 bilhões).
A Ican, ganhadora do Nobel da Paz em 2017, ressaltou que esses nove países gastaram US$ 470 bilhões (R$ 2,43 trilhões) com seus arsenais nos últimos anos, e previu que esse gasto siga aumentando.
A organização citou como exemplo as projeções de crescimento de gastos a longo prazo de Reino Unido, França e Estados Unidos, que revelam planos de investimento de bilhões de dólares no desenvolvimento e na manutenção desses sistemas de armas até o próximo século. Outros países também estão introduzindo novos sistemas de armas com longa vida útil.
O relatório aponta que se espera que os novos mísseis balísticos intercontinentais Sentinel previstos pelos Estados Unidos permaneçam operacionais para além de 2100, e que o aumento da produção de núcleos de plutônio naquele país indica que suas ogivas vão durar até 2120, o que vai exigir investimentos significativos.
Projeta-se que os gastos dos Estados Unidos com armas nucleares apenas na década entre 2025 e 2034 se aproxime do trilhão de dólares, segundo o relatório. Os pesquisadores destacam que essas grandes somas são especialmente impressionantes em um momento no qual o sistema humanitário mundial enfrenta cortes drásticos de financiamento.
"O que esses países gastaram em 2025 poderia ter financiado 32 anos do orçamento operacional da ONU", disse Susi. O valor gasto em armas nucleares em apenas um dia no ano passado poderia ter proporcionado segurança alimentar para mais de 2 milhões de pessoas.
Em vez de fornecer ajuda ou garantir serviços essenciais às suas populações, os Estados com armas nucleares investem em "um arsenal que eles mesmos sabem que não podem usar sem cometer um crime de guerra", ressaltou a diretora. "Parece haver uma desconexão total da realidade."
N.Fournier--BTB