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Trump, protagonista da disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro
Com anúncios questionados em Brasília, o presidente americano, Donald Trump, virou protagonista da corrida eleitoral de outubro, gerando dúvida sobre o peso dos Estados Unidos na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O republicano deu apoio a candidatos da direita em outros países latino-americanos como Argentina, Colômbia e Honduras, embora no caso do Brasil tenha destacado sua "excelente química" com Lula, que tentará a reeleição.
Mas depois de receber o presidente brasileiro no mês passado em Washington, Trump também se reuniu com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), e o elogiou como um "jovem inteligente que ama seu país".
Dias depois, os Estados Unidos classificaram como organizações terroristas as duas maiores facções de narcotraficantes do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), e anunciaram um possível aumento de tarifas aduaneiras a produtos brasileiros, duas medidas rechaçadas com veemência pelo governo Lula.
Enquanto o bolsonarismo prevê que Trump terá um papel crucial na disputa eleitoral, segundo afirmou à AFP Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, Lula aposta em um canal direto com seu par americano para reduzir eventuais danos.
Por enquanto, as pesquisas preveem um segundo turno apertado entre Lula, de 80 anos, e Flávio Bolsonaro, de 45.
- "Fator decisivo" -
Lula acusou Trump de se comportar como um "imperador" do mundo, mas após a reunião de três horas que os dois tiveram em maio na Casa Branca, comemorou a boa sintonia entre ambos e disse que o presidente americano aprendeu com ele "que rir é muito bom", em alusão às várias fotos publicadas em sua conta no Instagram, nas quais apareceram sorridentes.
Bolsonaro, no entanto, também se vangloriou do encontro com o republicano, que apoiou uma bandeira da direita ao designar PCC e CV como terroristas.
"Em uma viagem (a Washington) como pré-candidato, nós fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato", gabou-se o senador.
O combate ao crime organizado é uma prioridade para dezenas de milhões de eleitores brasileiros.
A medida do governo americano "favorece o Flávio e desgasta o Lula, que sempre foi contra", disse à AFP o deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara.
"Trump será sim, na minha avaliação, um fator decisivo (na campanha). O que a gente precisa é tomar muito cuidado porque assim como ele tem um costado positivo, que agrega, ele também tem a sua rejeição alta", acrescentou, em alusão a pesquisas que mostram que o presidente americano divide os brasileiros.
Segundo Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, "com Trump, os Estados Unidos têm uma estratégia de intervencionismo partidário em vários países, com apoio a candidatos ideologicamente aliados (...) e é esperado que o Brasil também seja alvo de uma tentativa americana de influenciar a eleição".
- Canal presidencial -
Trump e Lula arrastam tensões desde 2025, quando os Estados Unidos impuseram um tarifaço punitivo ao Brasil, em represália pelo julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, no qual o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão.
Após uma aproximação entre os dois presidentes, os Estados Unidos finalmente suspenderam parte das tarifas.
Mas o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, recomendou novas tarifas de 25% a vários produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais, e de 12,5%, como fez com outros países, por suposto uso de trabalhos forçados. A decisão final será de Trump.
Lula atribuiu o risco de um forte aumento das tarifas ao ativismo em Washington de Bolsonaro, a quem acusou de "traidor da pátria".
O senador, por sua vez, negou ter pedido tal medida ao republicano.
Segundo Stuenkel, "as tarifas meio que anulam a vantagem que a designação dos cartéis criou para o Flávio", pois Lula pode atribuir a ele uma medida prejudicial para a economia do Brasil, país predominantemente exportador.
Lula disse que quer negociar diretamente com Trump para evitar a aplicação das sobretaxas, embora tenha dito que enfrenta resistências no Departamento de Estado.
O petista criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de origem cubana, a quem chamou de "latino-americano frustrado" e "inimigo mortal" dos países da América Latina.
"O canal Trump-Lula é o melhor que esta relação (bilateral) tem hoje, sua última reunião foi o que acalmou os ânimos", disse à AFP Bruna Santos, diretora para o Brasil do centro de análise Diálogo Interamericano.
Trump e Lula confirmaram sua presença na cúpula do G7 na França, entre 15 e 17 de junho. O Brasil está confiante em que os dois líderes possam se encontrar, embora até agora não haja nenhuma confirmação oficial, disse à AFP uma fonte do governo brasileiro.
H.Seidel--BTB