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Trump alerta que Irã pagará o preço por demorar 'demais' a negociar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta quarta-feira (10) o Irã de demorar "demais" a negociar um acordo de paz e advertiu que o país terá que "pagar o preço", um dia após insinuar que uma solução para o conflito estava próxima.
As declarações aconteceram após a troca de disparos entre Irã e Estados Unidos depois da derrubada de um helicóptero americano perto do Estreito de Ormuz.
Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que as Forças Armadas iranianas foram "completamente derrotadas", apenas um dia após anunciar que as negociações para encerrar de forma definitiva a guerra no Oriente Médio estavam na "fase final".
"O valentão do Oriente Médio está MORTO!!! Eles demoraram demais para negociar um acordo que teria sido excelente para eles, agora terão que pagar o preço!!!", escreveu.
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, provocou um cenário de caos na região e abalou os mercados mundiais até o anúncio de uma frágil trégua, em 8 de abril.
O Irã anunciou que atacou bases americanas na Jordânia e no Bahrein, depois que as forças dos Estados Unidos lançaram ataques contra a República Islâmica em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache.
Os dois tripulantes sobreviveram e foram resgatados perto da costa de Omã.
- "Extremamente preocupados" -
O Bahrein afirmou que interceptou "vários ataques aéreos iranianos".
O Exército jordaniano informou que destruiu cinco mísseis iranianos que tinham como alvo Azraq, onde fica uma base americana, sem relatar vítimas ou danos materiais. O Exército do Kuwait afirmou que suas defesas aéreas repeliram "alvos aéreos hostis".
A diplomacia iraniana afirmou que os países vizinhos do Golfo têm a "responsabilidade legal e moral" de impedir os ataques americanos e israelenses a partir de seus territórios.
O Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom) afirmou que atacou "sistemas iranianos de defesa aérea, estações de controle em solo e locais de radares de vigilância perto do Estreito de Ormuz".
Na cidade portuária de Sirik, no sul do Irã, quase 20.000 pessoas ficaram sem água potável devido aos ataques americanos que atingiram dois reservatórios na região, informou a televisão estatal.
A recente escalada provocou apelos de moderação por parte da Rússia e da China, aliados do Irã.
"Estamos extremamente preocupados com a nova rodada de confrontos", declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo. A China pediu " medidas concretas para aliviar e reduzir as tensões".
Poucas horas antes, Trump havia declarado que as negociações para acabar com mais de três meses de guerra estavam na reta final. É questão de "dois ou três dias", disse.
Mas, após a queda do helicóptero, Trump disse em uma entrevista ao canal ABC News que o país responderia "de maneira forte".
Diante das novas tensões, um diplomata afirmou à AFP que negociadores do Catar, "após consultas com os Estados Unidos", viajaram a Teerã para abordar "as divergências que ainda persistem".
O frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã foi testado no fim de semana, quando Irã e Israel retomaram a troca de ataques, antes do anúncio da suspensão das hostilidades.
O estopim da crise foi um ataque contra Beirute, a capital do Líbano, que foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o movimento pró-iraniano Hezbollah lançou foguetes contra Israel.
As tropas de Israel responderam com bombardeios e uma invasão terrestre, ações que mataram mais de 3.600 pessoas. Os confrontos com o Hezbollah não foram interrompidos, apesar de duas supostas tréguas.
O Irã insiste que qualquer acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio deve incluir a questão libanesa.
Nesta quarta-feira, a ONU anunciou o envio de uma missão ao Líbano para investigar as violações de direitos humanos.
Uma fonte médica afirmou que 12 pessoas morreram no sul do Líbano em ataques israelenses. Na cidade costeira de Sidon, um jornalista da AFP ouviu uma explosão e depois viu equipes de resgate retirando duas pessoas de um veículo em chamas.
Outro tema delicado nas negociações de paz é o Estreito de Ormuz, que o Irã mantém praticamente bloqueado desde o início da guerra.
Perto do estreito, na costa de Omã, um petroleiro relatou "um incêndio na sala de máquinas" que deixou um morto e dois desaparecidos, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Os preços do petróleo voltaram a subir na quarta-feira, mas continuam abaixo dos 100 dólares.
O bloqueio provocou uma das perturbações mais graves "já observadas" no sistema energético mundial, afirmou o CEO da Shell, Wael Sawan, que acredita que o retorno ao equilíbrio levará mais de um ano.
burs-mjw/hmn/mas/dbh/fp/aa
K.Brown--BTB