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Belfast se prepara para novos incidentes após protestos anti-imigração
Com escolas fechadas e ônibus e trens paralisados, Belfast teme, nesta quarta-feira (10), novos incidentes após os distúrbios anti-imigração na capital norte-irlandesa, desencadeados pelo ataque com faca de um refugiado sudanês contra um homem.
A vítima da agressão, ocorrida na segunda-feira, um homem de cerca de 40 anos identificado como Stephen Ogilvy, perdeu um olho e foi hospitalizada.
Enquanto a polícia de Belfast prevê novos distúrbios na noite desta quarta-feira na capital norte-irlandesa, o que levou ao reforço de sua presença na cidade, a família da vítima fez um apelo à calma.
Em um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, o agressor aparece sentado sobre um homem caído no chão, ensanguentado, enquanto o esfaqueia.
Centenas de pessoas, algumas com os rostos cobertos, se reuniram na noite de terça-feira em diferentes pontos de Belfast em protestos que terminaram com ônibus, veículos e imóveis incendiados.
"Lançaram coquetéis molotov e, de repente, o fogo se propagou", afirmou Eemran, um engenheiro de origem indiana de 41 anos que mora em um dos bairros afetados.
"Começou a sair fumaça do prédio e os bombeiros nos disseram para sair", declarou à AFP.
- Incidentes "inaceitáveis" -
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou os distúrbios como "chocantes e completamente inaceitáveis".
"Nada pode justificar a violência e a desordem que vimos, que ameaçam nossas comunidades, nem as ações daqueles que as incentivaram, na internet ou em outros lugares. Está claro que pessoas foram atacadas ontem à noite por causa de sua origem, e eu não vou tolerar isso", afirmou Starmer.
A cidade se preparava nesta quarta-feira para novos distúrbios.
As escolas liberaram os alunos a partir do meio-dia, enquanto a operadora pública de transporte anunciou que ônibus e trens encerrariam o serviço mais cedo do que o habitual.
O chefe da polícia da Irlanda do Norte, Jon Boutcher, advertiu em entrevista coletiva que mobilizou efetivos adicionais, aos quais se somarão na quinta-feira reforços do restante do Reino Unido.
Até o momento, houve três detenções pelos distúrbios e "haverá mais", anunciou o secretário de Estado britânico encarregado da Segurança, Dan Jarvis.
"O fato de grupos de encapuzados terem incendiado casas onde vivem famílias representa um ato de covardia repugnante", condenou no X a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill.
O suspeito do ataque com faca, Hadi Alodid, um sudanês de 30 anos, compareceu na manhã desta quarta-feira diante de um juiz em Belfast.
Acusado, entre outros crimes, de tentativa de assassinato, ele recusou a presença de um advogado e foi acompanhado por um intérprete de árabe.
Ao fim da audiência, Alodid permaneceu detido até uma próxima audiência, prevista para 8 de julho.
As autoridades indicaram que o acusado entrou na Irlanda do Norte em 2023, de ônibus, a partir da República da Irlanda, após chegar procedente da França.
Ao chegar, obteve o status de refugiado, com autorização de residência até 2028.
As motivações do ataque não estão claras, mas a polícia da Irlanda do Norte descartou a hipótese terrorista.
A agressão, condenada unanimemente pela classe política britânica, levou figuras da extrema direita, como o ativista Tommy Robinson, a convocarem manifestações, que receberam apoio do bilionário americano Elon Musk.
A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, denunciou nesta quarta-feira, na BBC, a ação de pessoas nas redes sociais que "até ontem teriam tido muita dificuldade para localizar Belfast em um mapa" e que "instrumentalizaram o medo legítimo que as pessoas sentem diante dos acontecimentos".
Líderes de partidos de extrema direita, como o Reform UK, de Nigel Farage, ou o Restore Britain, de Rupert Lowe, atribuíram os fatos às políticas migratórias do governo trabalhista e de seus antecessores conservadores.
Manifestações violentas contra os imigrantes aconteceram na Irlanda do Norte nos últimos dois anos, assim como em outras regiões do Reino Unido.
O ataque em Belfast aconteceu uma semana após um protesto violento em Southampton para denunciar a forma como a polícia local enfrentou, em dezembro, o assassinato de um estudante branco, Henry Nowak, por um jovem asiático.
Além de Belfast, também houve manifestações anti-imigração na noite de terça-feira em Glasgow e Edimburgo, na Escócia, assim como em Southampton.
O.Lorenz--BTB