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Chefe do Pentágono visita Guantánamo e adverte Cuba sobre compra de armas
O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, advertiu Cuba nesta quarta-feira (10) a não comprar nem pensar em usar armas que possam representar uma ameaça aos Estados Unidos, durante uma visita à base militar americana na Baía de Guantánamo.
A visita de Hegseth, anunciada inesperadamente na véspera, ocorre em um momento de enorme pressão dos Estados Unidos sobre a ilha, por meio de sanções contra seus dirigentes e de um asfixiante bloqueio petrolífero.
"Seria imprudente que o governo de Cuba tentasse obter ou acessar tipos de armas que pudessem alcançar esta base ou o território americano", disse Hegseth às tropas americanas estacionadas na base.
Caso contrário, "estariam abrindo a porta para uma confrontação que (...) não podem sustentar", advertiu.
Veículos de imprensa americanos informaram recentemente sobre a suposta compra de 300 drones militares por Havana, que poderiam ser usados contra a base de Guantánamo ou até a Flórida, situada a cerca de 150 quilômetros da costa cubana.
Cuba adquiriu drones de ataque da Rússia e do Irã desde 2023 e busca comprar mais, disseram autoridades americanas ao site Axios.
Havana rejeitou a informação.
Washington está montando "um expediente fraudulento para justificar a guerra econômica impiedosa contra o povo cubano e uma eventual agressão militar", declarou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez.
No fim de maio, o principal general americano responsável pelas operações na América Latina visitou Guantánamo, onde se reuniu com comandantes militares cubanos.
Duas semanas antes, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Havana e se reuniu com funcionários cubanos.
Trump também tentou usar a base de Guantánamo como centro de detenção para deportações de migrantes.
- Aplausos da tropa -
Vestido com uniforme camuflado, Hegseth fez um discurso inflamado aos soldados estacionados na base estabelecida em 1903, que, após o triunfo da Revolução Cubana de 1959, tornou-se um ponto de atrito constante entre Washington e Havana.
"O que acontecer no futuro de Cuba (...) está nas mãos do presidente dos Estados Unidos", afirmou Hegseth.
"E esperamos muito em breve nos tornarmos amigos da liderança de Cuba. Por enquanto, vamos ver o que acontece", disse.
As palavras de Hegseth foram aplaudidas em várias ocasiões pelos jovens militares que o ouviam.
Cuba "tem que tomar decisões sobre que tipo de reformas quer realizar. Não cabe a mim tomar essa decisão por eles", afirmou.
Hegseth também mencionou os ataques que o Pentágono realiza no Caribe e no Pacífico contra supostas lanchas do narcotráfico, que desde setembro mataram cerca de 210 pessoas.
"Estamos caçando-os como caçamos a Al-Qaeda e o EI no Oriente Médio: as mesmas redes, a mesma inteligência e as mesmas capacidades", afirmou.
Especialistas e autoridades da ONU denunciaram essas ações como execuções extrajudiciais.
A administração de Donald Trump nunca apresentou provas sólidas que permitam afirmar que as embarcações atacadas estavam efetivamente envolvidas nesse tráfico.
No entanto, Washington argumentou ao Congresso que tem autoridade para agir preventivamente, com os mesmos procedimentos que governos anteriores usaram durante anos em países como Iêmen ou Somália para eliminar supostos terroristas.
O.Lorenz--BTB