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Trump anuncia ataques contra Irã por 'fazer Estados Unidos de bobos'
O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (10) que os Estados Unidos vão retomar os ataques contra o Irã, após acusar Teerã de brincar com Washington, enquanto o secretário-geral da ONU alertou para o risco de retorno a uma "guerra total" no Oriente Médio.
Iniciada em 28 de fevereiro, com os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, a guerra provocou um cenário de caos na região e abalou os mercados mundiais até o anúncio de uma trégua, em 8 de abril.
"Vamos atacá-los... atacá-los com muita força", disse Trump na Casa Branca, acrescentando que isso vai acontecer a partir de hoje. "Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos."
Trump havia dito ontem que um acordo para encerrar os mais de três meses de guerra seria anunciado em até três dias, mas, na madrugada de hoje, houve fogo cruzado.
O presidente americano indicou ao canal Fox News que pensa cada vez mais em lançar ataques contra centrais elétricas e pontes iranianas. "A infraestrutura crítica é vital. As ameaças de atacá-la não são uma demonstração de força, e sim um sinal de desespero", publicou no X o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
O Irã havia reivindicado antes a autoria de ataques contra bases americanas na Jordânia e no Bahrein, depois que forças dos Estados Unidos lançaram ataques contra a república islâmica em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache.
O Bahrein afirmou que interceptou "vários ataques aéreos iranianos". Já o Exército da Jordânia informou que destruiu cinco mísseis iranianos que tinham como alvo Azraq, onde fica uma base americana, sem relatar vítimas ou danos materiais.
O Exército do Kuwait, por sua vez, afirmou que suas defesas aéreas repeliram "alvos aéreos hostis", sem informar a procedência deles. Já a Índia anunciou hoje que três tripulantes estavam desaparecidos após um ataque do Exército americano contra um petroleiro na costa de Omã. Segundo Washington, o navio, de bandeira de Palau, tentava burlar o bloqueio dos Estados Unidos a portos iranianos.
- Negociadores em Teerã -
O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou "a escalada dos ataques e da retórica nas últimas 48 horas", e alertou para o risco de uma "guerra total" no Golfo. Um diplomata informou à AFP que negociadores do Catar, país mediador, viajaram hoje à capital iraniana.
Em relação ao tema nuclear, um dos principais pontos de divergência entre Teerã e Washington, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou hoje uma resolução que exige que o Irã forneça informações sobre suas reservas de urânio e instalações de produção. O representante permanente do Irã na ONU em Viena, Reza Najafi, disse à AFP que a resolução é "contraproducente na situação atual".
- Chamado de Netanyahu -
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou hoje os libaneses a se unir à luta de Israel contra o Hezbollah, afirmando que seu país foi "tomado como refém" pelo grupo islamita pró-Irã.
Israel e Irã se atacaram no último domingo e segunda-feira pela primeira vez desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em abril. O Irã insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir a questão libanesa.
A ONU anunciou hoje o envio de uma missão ao Líbano para investigar violações de direitos humanos.
Os preços do petróleo voltaram a subir, impulsionados pelas declarações belicosas do presidente Donald Trump. O barril do Brent para entrega em agosto teve alta de 1,80%, aos 93,10 dólares, e o do WTI para julho subiu 2,08%, aos 90,03 dólares.
burs-mjw/hmn/mas/dbh/fp/aa-lb/am
S.Keller--BTB