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Número de deslocados forçados no mundo registra queda
O mundo registrava no final do ano passado 117,8 milhões de pessoas deslocadas pela guerra ou outras formas de violência, um número que registrou queda pela primeira vez em uma década, informou a ONU nesta quinta-feira (11).
"O número de pessoas obrigadas a fugir da perseguição, dos conflitos, da violência, das violações dos direitos humanos ou de acontecimentos que perturbam gravemente a ordem pública (...) caiu para 117,8 milhões", anunciou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
A agência da ONU destacou que 58% dos deslocados estavam dentro de seu próprio país.
Segundo o ACNUR, esta é a primeira queda em uma década, com 5,4 milhões de pessoas deslocadas a menos que o registrado no final de 2024.
A agência aponta que "a evolução se deve a um forte aumento dos retornos de refugiados e deslocados internos em algumas das crises de deslocamento mais graves do mundo, em particular no Afeganistão, na República Democrática do Congo, no Sudão e na Síria".
Porém, "muitos retornos não aconteceram em condições de segurança e estabilidade, mas sob diversas formas de pressão, para países onde a insegurança persiste, onde as infraestruturas sofreram danos e onde o acesso a serviços básicos e a oportunidades econômicas continua sendo muito limitado", advertiu o alto comissário para os Refugiados, Barham Salih.
- Colômbia, principal país de acolhida -
O número de novos pedidos individuais de asilo superou a quantidade de decisões proferidas. Assim, o número de demandantes que aguardam uma resolução registrou um aumento de 645.300, alcançando quase nove milhões de pessoas em todo o planeta.
"Os solicitantes de asilo devem ter acesso a procedimentos justos e eficazes que permitam examinar seu pedido de proteção. As pessoas que fogem de conflitos, perseguições e violência devem dispor de vias efetivas para buscar refúgio", afirmou Salih.
O ACNUR calcula que o mundo tinha 4,5 milhões de apátridas no final de 2025, 3% a mais que no ano anterior.
A agência aponta que quase 5,4 milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de seu país para buscar refúgio em outro lugar no ano passado, na maioria dos casos em Estados vizinhos.
A Colômbia foi o principal país de acolhida em todo o mundo, recebendo 2,8 milhões de refugiados e outras pessoas necessitadas de proteção internacional.
Oito países representaram quase 60% dos deslocados transfronteiriços: Sudão (952.700), Ucrânia (788.100), Venezuela (455.300), Sudão do Sul (232.800), Burkina Faso (221.300), Afeganistão (191.400), Mali (177.200) e Mianmar (165.400).
Um total de 92% dos retornos, que em 2025 superaram 14,7 milhões de pessoas, foram concentrados em seis países: República Democrática do Congo (3,6 milhões), Sudão (3,6 milhões), Síria (3,3 milhões), Afeganistão (2 milhões), Ucrânia (718.300) e Mianmar (415.200).
Além disso, o número de refugiados que chegaram a países de reassentamento, que em 2024 havia atingido o nível mais elevado em 40 anos, diminuiu em 2025, devido principalmente à redução das admissões nos principais países de acolhida, em particular os Estados Unidos.
A diminuição ocorreu apesar da avaliação do ACNUR de que 2,9 milhões de refugiados precisavam ser reassentados em 2025, "o que ilustra o aumento crescente entre as necessidades e as soluções disponíveis".
- Impacto das crises -
No início de 2026, várias crises influenciaram as tendências internacionais de deslocamentos forçados, como no Líbano (um milhão de deslocados internos) ou no Irã (3,2 milhões).
Os conflitos também provocaram um aumento dos retornos em condições difíceis.
Assim, até maio de 2026, 549.800 sírios e 678.500 afegãos haviam retornado a seus países de origem a partir de várias nações, muitas vezes devido ao agravamento da situação de segurança em seus países de asilo, em particular no Líbano e no Irã.
Barham Salih afirmou em Genebra que estabeleceu como meta reduzir em mais da metade o número de refugiados durante a próxima década.
A ideia, segundo ele, é desenvolver ainda mais as possibilidades de retorno voluntário, reassentamento e vistos humanitários, passando da assistência tradicional para abordagens que favoreçam a autonomia econômica dos refugiados.
"Devemos fazer com que os Estados membros, as diferentes partes envolvidas e os países de acolhida compreendam que, além da assistência imediata, existe um caminho que permite alcançar uma situação mais sustentável", explicou Salih.
Segundo o ACNUR, o número de pessoas deslocadas à força no mundo permanecia globalmente estável no fim de abril de 2026 na comparação com o final de 2025, entre 117 e 118 milhões.
O.Krause--BTB