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Irã considera trégua 'praticamente sem sentido' e fecha o Estreito de Ormuz
O Irã advertiu, nesta quinta-feira (11), que a frágil trégua no Oriente Médio se tornou "praticamente sem sentido" e decretou o fechamento total do estreito de Ormuz após a mais recente série de ataques dos Estados Unidos.
Em vigor desde 8 de abril, após mais de um mês de bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e de represálias de Teerã na região, o cessar-fogo era respeitado em grande medida até a semana passada, apesar das declarações ameaçadoras das partes.
Mas desde domingo a situação ficou mais tensa, primeiro com uma crise entre Irã e Israel e depois com ataques entre a República Islâmica e os Estados Unidos, que foram retomados durante a noite de terça-feira e prosseguiam nesta quinta.
"É difícil permanecer otimista", resumiu nesta quinta-feira Tahir Andrab, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, país que atua como mediador entre Washington e Teerã. Ele voltou a fazer um apelo por diplomacia e diálogo.
Uma delegação do Catar deixou Teerã nesta quinta-feira, após uma visita que pretendia avançar com a via diplomática, que atualmente parece estagnada. Países como China, Rússia e Arábia Saudita pediram nas últimas horas um retorno urgente à mesa de diálogo.
- Bloqueio "até nova ordem" -
"Os ataques ilegais e criminosos perpetrados pelos Estados Unidos nas últimas horas não apenas constituem uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas (...), mas também tornam a trégua algo praticamente sem sentido", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã em um comunicado divulgado após a segunda noite de bombardeios contra seu território.
Pouco depois, a nova agência iraniana responsável por supervisionar o Estreito de Ormuz confirmou que o tráfego por esta via está completamente bloqueado até nova ordem, como a Guarda Revolucionária havia ameaçado na véspera.
"Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região e ao anúncio feito na noite de ontem pelas Forças Armadas iranianas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até nova ordem", anunciou em uma mensagem no X a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico.
Desde 28 de fevereiro, quando os ataques israelense-americanos desencadearam a guerra, o Irã restringe em grande medida a navegação por esta via crucial para o comércio de combustíveis - mas até hoje permitia a passagem de quase 20 navios por dia.
Durante a última noite, o Exército dos Estados Unidos anunciou ataques contra "centros de vigilância militar iranianos, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea em todo o país".
Três pessoas ficaram feridas, informou a imprensa iraniana, que relatou explosões na ilha de Qeshm, em Minab, Sirik e no porto de Bandar Abbas, no sul.
O Irã respondeu com o lançamento de quase 20 mísseis contra uma base americana na Jordânia, todos interceptados, e com novos ataques contra seus vizinhos do Golfo, aliados de Washington.
No Bahrein, uma menina ficou ferida ao ser atingida pelos destroços de um drone. O Kuwait precisou fechar seu espaço aéreo por alguns minutos devido ao lançamento de projéteis iranianos.
- 38ª promessa de acordo -
A tensão aumentou consideravelmente na terça-feira, após um novo anúncio de acordo iminente por parte do presidente Donald Trump, que fez promessas similares 38 vezes desde o início da guerra, segundo uma contagem da CNN.
"Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos", reclamou o presidente americano na quarta-feira diante da imprensa.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, criticou o Irã por "brincar de gato e rato" nas negociações.
"Se tivermos que negociar à base de bombas, vamos negociar com bombas, e somos muito bons nisso", ameaçou.
Sem aceitar a intimidação, a Guarda Revolucionária, o poderoso exército ideológico do Irã, advertiu que suas forças atacariam qualquer navio que tentasse cruzar o estratégico Estreito de Ormuz.
Pouco depois, a Marinha iraniana anunciou ataques contra "dois navios" que tentavam atravessar Ormuz "ilegalmente".
A agência britânica de transporte marítimo UKTMO informou que um navio estava em chamas perto de Omã, sem revelar mais detalhes.
Na quarta-feira, um petroleiro foi atacado, desta vez por forças americanas que impõem um bloqueio naval ao Irã.
Segundo o Exército dos Estados Unidos, o navio tentava romper o bloqueio para exportar petróleo procedente do Irã. Três marinheiros indianos morreram, segundo Nova Délhi.
Washington e Teerã já haviam anunciado ataques entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira. No domingo e na segunda-feira também foram registrados ataques diretos entre Israel e Irã pela primeira vez desde o início da trégua.
O estopim foi um bombardeio israelense contra os subúrbios de Beirute, um reduto do movimento pró-Irã Hezbollah, que em março abriu uma segunda frente na guerra ao atacar Israel em apoio a Teerã.
A República Islâmica exige que qualquer acordo de paz na guerra regional inclua um cessar-fogo no Líbano, onde as operações israelenses deixaram mais de 3.600 mortos nos últimos meses.
M.Furrer--BTB